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PORTUGUESE NEWSPAPER weekly Digital Edition N: 120121
Terça-feiraTerça-feira
12/01/21 12/01/21
AustráliaAustrália
“Quanto maior a gravidade, mais restritivas devem
ser as medidas”, explicou o primeiro-ministro.
O primeiro-ministro armou, esta segunda-feira, que
o connamento iminente será muito semelhante ao
que começou em março do ano passado.
"Desde o último conselho de ministros tenho vindo
a deixar muito claro que aquilo que será decretado
será algo muito próximo do que tivemos no primeiro
connamento logo em março e abril, de forma a que
as pessoas se possam ir preparando para a adoção
dessas medidas”, adiantou António Costa.
"Algumas medidas serão publicadas com pouca
distância da data da implementação", revelou o
primeiro-ministro, fazendo a ressalva de que o
"calendário da tomada de decisão é complexo" e que
medidas são para "cumprir na máxima velocidade".
“Quanto maior a gravidade, mais restritivas devem ser
as medidas”, avisou ainda, sublinhando que é preciso
responder ao desao” de controlar a crise sanitária,
mantendo a economia estável.
Novo confinamento será
muito próximo do de março
e abril, revelou Costa
2 JornalPortuguês 2 JornalPortuguês 12/01/21 12/01/21 NoticiasNoticias
OMS diz que países pobres ainda não receberam
vacinas contra a covid-19.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse, esta
sexta-feira, que os países pobres ainda estão sem
vacinas contra a covid-19 e avisou que o “nacionalismo
das vacinas” é “autodestrutivo.
Em conferência de imprensa, Tedros Ghebreyesus,
diretor-geral da OMS, disse que, neste momento, há
42 países que estão a distribuir vacinas "seguras e
ecazes". Destes, 36 são países de alto rendimento e
seis de rendimento médio.
"Portanto, há um claro problema de que os países de
baixo e médio rendimento ainda não estão a receber
a vacina", alertou.
O responsável revelou ainda que o mecanismo
COVAX - criado pela OMS e outras entidades para
promover uma distribuição equilibrada de vacinas -
já assegurou contratos de dois mil milhões de vacinas
contra a covid-19. Tedros Ghebreyesus destacou que
os países ricos começaram por comprar a maior parte
do fornecimento de vacinas e que há países ricos,
que fazem parte da COVAX, que estão a fazer acordos
bilaterais adicionais.
"Apelo aos países e fabricantes para deixarem de fazer
acordos bilaterais à custa da COVAX", disse, apelando
ainda os países que compraram mais vacinas do que
aquelas de que necessitam, "e que estão a controlar o
fornecimento global", para as doarem à COVAX.
O responsável lembrou que esta situação poderá
levar ao aumento dos preços da vacina e faz com que
as pessoas dos países mais pobres e que são de alto
risco não a possam receber.
OMS diz que "nacionalismo das
vacinas" é "autodestrutivo" e
pede fim de acordos bilaterais
JornalPortuguês 12/01/21 3
Vamos SER
COVIDSAFE
juntos
Vamos continuar a nos mantermos seguros juntos.
Visite health.gov.au para mais informações, ou ligue para o
National Coronavirus Helpline no 1800 020 080.
Para serviços de tradução e interpretação ligue para 131 450.
Todos nós temos de continuar fazendo escolhas COVIDSafe
para ajudar a impedir a disseminação.
Mantenha distanciamento físico em espaços públicos.
Use uma máscara quando necessário.
Pratique boa higiene.
Proteja os outros e que em casa se você não se sentir bem. Se tiver sintomas de resfriado ou
gripe faça o teste de COVID-19.
Tenha o COVIDSafe app.
Autorizado pelo Governo Australiano, Camberra
4 JornalPortuguês 12/01/21 NOTICIAS
Debate começou de forma amigável, mas as águas
caram agitadas quando se falou sobre o Chega e uma
possível ilegalização do partido. Ana Gomes fez ainda
uma referência a Ricardo Salgado e o atual Presidente
da República não gostou e chamou o nome de Rui
Pinto para a conversa. No debate, Marcelo disse que
"não há" alternativa a um novo connamento geral.
O debate entre a candidata presidencial Ana Gomes
e o candidato e Presidente da República Marcelo
Rebelo de Sousa, deste sábado, na RTP, arrancou com
o combate à pandemia como tema de fundo.
Ana Gomes foi a primeira a intervir e foi questionada
sobre se as medidas agora equacionadas pelo
Governo, nomeadamente um novo connamento,
não estarão a demorar demasiado tempo. “Eu não
tenho sucientes elementos para me posicionar
sobre isso. Quem sabe é quem ouve os especialistas
e os cientistas”, disse. Contudo, notou que considera
que as eleições foram marcadas demasiado tarde.
A preocupação, numa altura em que a situação
epidemiológica não é a melhor, é "a abstenção".
“Não sei como é que as pessoas vão votar, em
particular as pessoas com mais de 80 anos, disse.
“Há muito tempo que se sabia que iria haver uma
segunda vaga, e havia preparativos a fazer pela
Comissão Nacional de Eleições atempadamente,
acrescentou, alertando ainda para o facto de os
emigrantes não poderem votar.
Questionada sobre se estava a responsabilizar
Marcelo, a ex-eurodeputada foi clara: “Foi o presidente
da República que marcou as eleições.
Marcelo começou por saudar a embaixadora Ana
Gomes e destacou o “importante papel” que esta
teve para Timor-Leste, bem como deputada europeia
e comentadora.
Sobre a pandemia, o candidato e Presidente começou
por lembrar que tomou a decisão de renovar o estado
de emergência por apenas oito dias, precisamente
porque os números eram baixos, tinham sido feitos
poucos testes” e não haviam dados sucientes”.
Agora "temos números", mas o candidato considera
importante esperar pela reunião com os especialistas
no Infarmed, na terça-feira, para encontrar respostas
concretas.
Quanto à data das eleições, Marcelo defendeu que
a Constituição só permitia duas datas possíveis –
17 ou 24 de janeiro – e lembrou que esperou até
24 de novembro por uma lei da Assembleia da
República sobre o voto antecipado e sobre o voto em
isolamento prolático. O candidato disse ainda que
era preciso saber a posição dos partidos quanto a um
eventual adiamento” e que os recebeu nesse sentido.
“Perguntei-lhes, explicou Marcelo, acrescentando
que a resposta foi negativa.
Depois de Ana Gomes reforçar a prioridade de
proteger os grupos de risco e, ao mesmo tempo,
permitir-lhes ir votar, nomeadamente os utentes dos
lares, Marcelo disse que tem três métodos possíveis:
O primeiro parte das autoridades sanitárias que
interpretam que os utentes dos lares se incluem na
lei do voto de quem está em isolamento prolático,
o segundo é a assinatura de um decreto de forma
isolada ou, o terceiro, o Presidente, no decreto
assinado na quarta-feira, assina expressamente a
questão de se equiparar o isolamento prolático aos
utentes dos lares.
Questionada sobre se responsabiliza Marcelo pelo
que está a acontecer, Ana Gomes admite que é uma
situação difícil, mas com a experiência que temos
recomendaria uma proteção a grupos especícos e
não um connamento geral.
“Eu assumo a responsabilidade, disse Marcelo,
admitindo que a coordenação entre os Ministérios
da Saúde e da Segurança Social não correu bem.
Já admiti há 1 mês e meio, reforçou, reconhecendo
que as expectativas sobre a vacinação e a decisão
de aliviar as medidas no Natal tiveram impacto
na atual situação. Contudo, lembra que ouviu os
partidos sobre a questão das medidas, e todos “se
posicionarem nesse sentido. A decisão teve o efeito
que teve, armou.
Ana Gomes vs Marcelo. O debate
que aqueceu no tema Chega e na
referência a Ricardo Salgado
Jornal Português Jornal Português 12/01/21 3 3
“Falei num pacto de conança com os portugueses
que não funcionou. Mas assumo as responsabilidades,
disse, defendendo depois que não há alternativa ao
connamento geral”.
Ana Gomes foi ainda confrontada com o facto de
ter dito que Marcelo era o grande “instabilizador do
Estado. A ex-eurodeputada diz que o Presidente deve
apresentar soluções e “não deve oscilar entre ser o
pai do primeiro-ministro ou tirar-lhe o tapete, ou até
assumir os louros da ação governativa.
“Penso que o Presidente podia contribuir mais para
as soluções, disse.
Questionada sobre o caso do SEF em especíco,
Ana Gomes disse que houve graves erros de todos
os agentes de estado e também de Marcelo, que só
atuou tarde. “Houve nove meses de silêncio, disse,
referindo que as falhas foram não só no conforto à
viúva, como também em cuidar da reforma do SEF.
“Esta é uma das matérias onde eu faria diferente, frisou,
insistindo que o nosso sistema é “semipresidencialista
e, por isso, é suposto o Presidente fazer juízos
políticos. “Marcelo Rebelo de Sousa não fez isso nos
Açores”, atirou, responsabilizando o atual chefe de
Estado pela “normalização de uma força de extrema-
direita, o Chega.
Para Ana Gomes a solução era dar posse ao partido
mais votado, como fez Cavaco Silva em 2015”.
Marcelo começou por responder a Ana Gomes com
citações da própria. “Senhora embaixadora tem
de estabilizar a sua opinião sobre o Presidente da
República, atirou. Até ao dia seguinte de apresentar
a candidatura achava que a colaboração com o
Governo tinha sido magníca, destacou Marcelo,
que disse ainda que quem “mudou de posição foi
Ana Gomes, que disse que o primeiro-ministro era
igual a Órban.
O candidato a Belém continuou a sua intervenção
e assegurou que interveio no caso do SEF logo em
abril” e que a reforma do SEF estava a ser tratada em
diálogo com o Governo, uma vez que já era parte
do plano do executivo. “Intervim logo no início e
não no m e depois também chamo a atenção que
z opção de não fazer o telefonema mas a senhora
embaixadora que é tão atenta e arguta esteve esse
tempo todo sem reparar que o Presidente não tinha
intervindo”, disse Marcelo, que questionou depois se
não é contraproducente isolar Ventura.
Aparecem os partidos ouvidos por ordem cresceste,
temos acordos. Não aconteceu assim no caso das
legislativas? Como é que um PR recusa uma maioria
parlamentar?”, questionou.
Ana Gomes respondeu dizendo que o Chega foi um
partido legalizado com assinaturas falsas”. A lei não
é para cumprir nesta matéria? Além de que tem um
programa claramente anti-constitucional”, disse.
Marcelo reforçou que não concorda com o caminho
da ilegalização. “Calá-los é vitimizá-los, não é
preciso proibi-los, é preciso vencê-los pelas ideias”,
disse, questionado depois porque Ana Gomes não
apresentou queixa ao Ministério Público, enquanto
cidadão, uma vez que estava tão “indignada.
“Porque é que não foi ao Ministério Público dizê-lo
enquanto cidadã e só o diz agora que é candidata?”,
questionou.
“Esperei que os órgãos da República o zessem,
insistiu a candidata, defendendo que “jamais”
permitirá o tipo de acordo que aconteceu nos Açores
na Assembleia da República.
Com os ânimos mais acesos, Ana Gomes chamou os
megaprocessos” para a conversa e considerou que
o Presidente da República precisa de dar os meios
necessários para o combate à corrupção”.
Marcelo disse que foi sempre contra os megaprocessos
e Ana Gomes aproveitou o momento para falar em
Ricardo Salgado.
“Sei que o senhor professor, até pela sua relação com
Ricardo Salgado, seja dos primeiros a ter interesse
em que o caso seja apurado. E sete anos depois, o
julgamento ainda nem sequer começou. E o caso
BES está ligado ao caso Sócrates, aos casos de evasão
scal”, disse Ana Gomes.
Marcelo respondeu que se orgulha do trabalho
desenvolvido ao longo do mandato, nomeadamente
dos megaprocessos que avançaram: “Marquês, BES,
Tancos, LEX”, enumerou.
O candidato não gostou da referência a Ricardo
Salgado, nomeadamente pela forma como foi feita
por Ana Gomes, e lembrou que ex-líder do BES
“foi nalmente acusado” no caso BES e teve três
condenações.
“Não sei se percebe o quão ofensivo é o que disse,
disse Marcelo. “Escusa de tentar atingir a minha
integridade. Eu nunca diria de si aquilo que disse de
mim, atirou, falando depois no nome de Rui Pinto.
Questionada sobre o método de Rui Pinto, Ana
Gomes diz que é a justiça que tem de apurar se
este cometeu crimes ou não, mas também tem de
valorizar o serviço cívico de interesse público que
ele prestou ao revelar o que revelou. A candidata
disse ainda que gostava de ter ouvido a opinião do
Presidente sobre o denunciante.
“Falar sobre casos de justiça? Isso fala a senhora
embaixadora, que é comentadora, disse Marcelo,
indignado, reforçando que não se expressa sobre
processos criminais que estão em curso. “Devia ser
muito bonito, atirou.
6 Jornal Português 12/01/21 NOTICIAS
Comunista critica privados que só pensam no lucro
da doença e Tino de Rans diz que o importante é
"salvar vidas", mesmo que se tenha de pagar mais
um bocadinho".
O debate, na RTP3, entre João Ferreira e Vitorino
Silva, conhecido como Tino de Rans, começou com
este último a dizer que ainda não tinha recebido
qualquer convite para estar presente na reunião
com o Infarmed, na próxima terça-feira, para o qual
António Costa convidou os candidatos presidenciais.
"A casamentos e batizados vão os convidados", disse
Vitorino Silva. Sobre a situação atual da pandemia,
sublinhou que ainda não é demasiado tarde para
adiar as eleições e que os idosos têm de ser protegidos
nesta fase.
João Ferreira também interveio sobre o ponto de
situação da covid e o connamento iminente, fazendo
questão de frisar que recusa a dicotomia entre saúde
e economia". O candidato comunista armou que
"não há connamentos gerais, e que “há milhares
de trabalhadores que não connaram". Defendeu,
por isso, que faltam medidas de proteção no local
de trabalho e nos lares. "Precisamos de canalizar
os apoios para quem deles realmente necessita",
sublinhou.
Seguiu-se uma discussão sobre o papel dos privados
e a relação com o setor público da saúde, que já tem
sido muito abordada em debates anteriores. João
Ferreira começou por dizer: "Não podemos ignorar
o que os grandes grupos zeram nesta área". E
esclareceu: "Sempre houve recurso aos privados, ele
nunca esteve em causa". No entanto, considera que
os portugueses não querem que recursos públicos
sirvam para sustentar quem lucra com a doença.
“Não é aceitável que haja aqui da parte dos privados
de escolha à la carte do que lhes interessa, armou.
Vitorino Silva defendeu que o Estado deve sim
recorrer aos privados para "salvar vidas", mesmo que
para isso tenha de “pagar mais um bocadinho". "Uma
vida não tem preço", disse, sublinhando que o “lucro é
uma coisa natural” e que não pode morrer ninguém.
“Se é preciso mais gente, é preciso meter mais gente,
armou ainda, defendendo um maior investimento
na saúde.
Sobre as revisões constitucionais, João Ferreira
considera que o país não ganhou com as alterações
e que "não há democracia sem direitos, nem direitos
sem desenvolvimento". Para o candidato comunista o
texto atual conserva a ambição do Portugal que está
por cumprir.
Questionado sobre qual o seu modelo para o país,
Vitorino Silva disse não ter nenhum, sublinhando
que sente muito orgulho de ter nascido e vivido em
Portugal.
Defendeu que o país “não se pode fechar e que “não
se pode meter os binóculos ao contrário.
O candidato do RIR disse também não gostar de
extremos, sejam de esquerda ou de direita.
Questionado se daria posse a um Governo que
integrasse o Chega, Vitorino Silva respondeu com
um exemplo: “Imagine eu ter carta de condução,
meto gasolina, gasóleo ou eletricidade e quando
vou a conduzir tenho de respeitar os sinais. O partido
Chega tem o alvará, se passar os sinais, o Presidente
da República é um polícia. Agora, se não respeitar os
sinais, claro que não toma posse”, acrescentou.
Já para João Ferreira disse ser “um exercício grotesco
e inaceitável colocar ao mesmo nível vítimas e
carrascos. O candidato da CDU garantiu que se fosse
Presidente tudo faria para não chegarmos à situação
em que um partido dessa natureza [Chega] tivesse
inuência governativa.
Para o comunista, esse tipo de partidos
“instrumentaliza o descontentamento da população
e teria tido "uma iniciativa diferente da de Marcelo
Rebelo de Sousa no caso dos Açores, que não
chamou o partido mais votado a formar Governo e
era o que devia ter feito
Vitorino Silva terminou dizendo que "seria o
Presidente de todos os portugueses e seria o
Presidente de André Ventura".
João Ferreira vs Vitorino
Silva. Setor privado da
saúde e Chega em debate
7 Jornal Português 12/01/21 NOTICIAS
Debate entre candidata do Bloco de Esquerda e
candidato da Iniciativa Liberal.
O último debate do espaço "A Caminho das
Presidenciais", da SIC Notícias, contou com a
presença de Marisa Matias - candidata do Bloco de
Esquerda - e Tiago Mayan Gonçalves - candidato da
Iniciativa Liberal. Mais uma vez, a jornalista Clara
de Sousa desempenhou o papel de moderadora e
começou por questionar a eurodeputada acerca do
connamento geral que foi conrmado, este sábado,
pela ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva.
É de recordar que a dirigente explicou, depois de
terminadas todas as audições em São Bento, que
o connamento será semelhante àquele que se
viveu no início da pandemia de covid-19 e que
poderá implicar o encerramento da restauração e do
comércio não-alimentar. Porém, os detalhes, deixou-
os para depois do Conselho de Ministros. Na ótica
de Marisa Matias, "há sinais preocupantes e temos
de fazer o que está ao nosso alcance", sendo que o
estado de emergência contribui para a diminuição
dos contágios, no entanto, é necessário que existam
"condições para que as pessoas possam cumprir" as
medidas de segurança, pois faltam "respostas sociais
e apoios económicos" governamentais.
Neste sentido, Clara de Sousa questionou Tiago
Mayan Gonçalves sobre as medidas restritivas que
propôs, na medida em que é de salientar que, no
passado dia 3 de janeiro, Mayan Gonçalves acusou
Marcelo Rebelo de Sousa pela "destruição social" que
acredita que o país enfrenta, sendo que adiantou que
o atual Presidente passou "um cheque em branco"
ao Governo, tendo igualmente acrescentado que o
líder "andou a partilhar 'minis' e bolas de Berlim e a
arranjar esquemas para ir para a praia. Este sábado,
o candidato que se autodenomina como o primeiro
"genuinamente liberal" não se afastou dos princípios
que costuma divulgar e, mais uma vez, salientou
que o país não suportará um novo connamento
generalizado. "Se o primeiro-ministro está a mudar
de opinião é porque algo muito grave se passa",
disse, adiantando que participará na reunião do
Infarmed com o objetivo de ouvir as opiniões dos
especialistas. "Só vou poder perceber isso a partir de
terça-feira", admitiu, não deixando de apelar a uma
"indemnização imediata às atividades obrigadas a
fechar".
Na entrevista ao jornalista João Adelino Faria,
em dezembro, Mayan Gonçalves responsabilizou
a ministra da Saúde pelas opções tomadas no
contexto pandémico, armando que a ideologia de
Marta Temido "matou gente" em Portugal devido à
"cegueira ideológica anti-privados". É de referir que
o antigo presidente do Conselho de Jurisdição da
Iniciativa Liberal culpabilizou Temido pelas então
"dez mil mortes" provocadas pelo novo coronavírus,
defendendo que "uma ministra que recusa utilizar
toda a capacidade instalada de saúde no país para
responder à pandemia não serve". Deste modo, Matias
lembrou as declarações do adversário e assumiu:
"Não gosto que se façam das mortes culpas políticas".
De seguida, realçou que discorda da ideia de que
"conseguimos controlar esta situação sem medidas",
salientando igualmente que "não se pode votar
contra o estado de emergência" como o opositor tem
feito. "Defendo o SNS, defendo que numa condição
de pandemia se devem mobilizar os privados a preço
de custo. Vejo Tiago Mayan a pedir que se mobilizem
os privados, que não haja estado de emergência, que
a atividade econímica continue a existir. Agora, se é
para dizer ao Estado que tem de indemnizar, já não
percebo porque parece uma perspetiva socialista",
avançou.
Mas o político que esteve envolvido, desde o início,
no movimento independente "Porto, o nosso Partido"
não recuou e recordou que foi o Bloco de Esquerda que
recusou o auxílio dos privados na Saúde. "Metade do
excesso de mortes que está a correr em Portugal não
é por causa da covid-19, esta situação é indesmentível
e os políticos têm de ser responsabilizados", declarou,
adicionando que "Portugal tem um valor distinto
e muito superior" de óbitos pelo novo coronavírus
quando comparado com outras nações europeias.
"Há responsabilidades políticas que têm de ser
assacadas", sublinhou, lançando farpas à oposição ao
realçar que a colaboração com os privados devia ter
sido preparada em março a "preços menores", sendo
que, atualmente, na sua ótica, "corremos atrás do
prejuízo" na medida em que "é impossível sabermos
quanto vai custar neste momento".
À semelhança daquilo que ocorreu no debate
com Rebelo de Sousa, em que o mesmo criticou "o
sonho e a utopia" do estado liberal, armando que
"os países que eram contra o estado de emergência
acabaram todos a adotá-lo", também a autora de
obras relacionadas com o ambiente e a saúde pública
demarcou-se do ponto de vista de Mayan Gonçalves.
Matias frisou que "há uma diferença de fundo" entre
ambos, pois "Tiago Mayan acha que estaríamos
melhor com uma resposta de mercado" e não está
de acordo com tal ideologia, explicitando que essa
resposta é espelhada através dos "privados que
queriam 13 mil euros por doente na primeira fase
de covid-19 e de hospitais que fecharam", referindo
que o setor público pode dar respostas ecazes "se
houver investimento".
Consequentemente, Clara de Sousa perguntou
à investigadora do Centro de Estudos Sociais da
Universidade de Coimbra se os privados podem
constituir um complemento e a mesma avançou
que "há uma contradição entre o que Mayan disse
e o que a Iniciativa Liberal diz", garantindo que
"Mayan diz que quer um sistema universal, mas não
é verdade". Assim, aludiu à ADSE (plano de proteção
para a saúde destinado aos trabalhadores do Estado),
declarando que "estender este sistema a toda a gente
era estender contribuições, o que para um liberal
seria um colossal aumento de impostos" e, portanto,
Mayan Gonçalves pretende "pôr a ADSE a nanciar o
Serviço Nacional de Saúde [SNS]". É de referir que, há
dois dias, no debate com o candidato João Ferreira,
do PCP, Mayan Gonçalves destacou: “Isto é uma prova
do falhanço do Governo na gestão desta pandemia
(...) As famílias não aguentam, os jovens não
aguentam, os pequenos e médios empresários não
aguentam. Temos de fazer o que ainda não zemos:
usar toda a capacidade instalada do país, algo que
não está a ser feito por preconceito ideológico do
Governo. Este sábado, Marisa Matias contrariou as
ideias do candidato liberal, lembrando-o de que o
SNS português é "Muito mais barato" do que aquele
que existe noutros países da Europa que Mayan
Gonçalves utiliza como exemplo.
Em novembro, entrevistado por Miguel Sousa Tavares,
na TVI, Mayan Gonçalves demonstrou que uma das
suas propostas é a taxa única, um imposto sobre o
rendimento que não é progressivo, contrariamente
ao atual IRS, realçando que a medida abrange um
limiar de exceção e, por isso, "ninguém vai pagar
mais (...) praticamente toda a gente vai pagar menos".
No debate com a candidata do Bloco de Esquerda,
justicou que Portugal é um "inferno scal" tanto em
taxas como em burocracias, o que leva a que "não
cresçamos há décadas e que estejamos a caminho
de sermos um dos países mais pobres da Europa",
salientando que "grande parte do problema disto
são as políticas scais". Assim, acolhe um período
de transição, mas também cortes onde o "Estado
está a mais", recordando que "o esforço scal dos
portugueses tem sido aumentado continuamente
ao longo das últimas décadas, as pessoas não vivem
para pagar impostos, vivem para viver a sua vida e
dar a sua comparticipação”.
A 28 de dezembro, o Grupo Parlamentar do PSD
entregou a lista de documentos, entidades e
personalidades que almeja ouvir na comissão de
inquérito ao Novo Banco, tendo solicitado audições
com 76 pessoas e documentos a 13 entidades, como
o Governo ou o Banco Central Europeu. O objetivo
dos social-democratas é descobrir a "verdade
material sobre a gestão do Novo Banco, desde o
momento da sua Resolução até aos dias de hoje".
Consequentemente, com o assunto em cima da
mesa, Matias lembrou que a instituição bancária
se converteu "num poço sem fundo". De seguida, a
eurodeputada abordou o plano de reestruturação da
TAP, criticando Mayan Gonçalves e dizendo que este
"gosta de falências e que não se importa que milhares
de pessoas vão para o desemprego", acrescentando
igualmente que "é uma companhia de bandeira, a
nossa maior exportadora e precisamos desse tipo
de empresas", não defendendo que a mesma "seja
entregue à Lufthansa". Ainda na temática do sistema
nanceiro, e questionado sobre as soluções que se
devem aplicar aos bancos que foram resgatados,
Mayan Gonçalves explicou que a moderadora está
a "criar uma alternativa sobre o que é que podia ter
acontecido", rematando que "entre 2008 e agora,
enterrámos 21 mil milhões de euros na banca",
asseverando que "signicaria muito mais ajudar as
empresas do que deixar cair o BES". Concluindo, o
candidato liberal admitiu que "estamos num país
"em que não há too big to fail", recorrendo à teoria
através da qual se justica que certas empresas,
particularmente, instituições nanceiras, são tão
grandes e interconectadas que a sua falência seria
desastrosa para o Governo e, deste modo, devem
ser apoiadas pelos governos quando enfrentam a
mesma. Sobre a TAP, Mayan Gonçalves explicou que,
a seu ver, um processo de insolvência não signica
o m, mas sim um "processo de reabilitação se a
empresa for viável". Porém, a sua armação seguinte
pareceu não se enquadrar nesta teoria. "Eu é que não
vou ser acionista da TAP", disse.
Nos minutos nais do debate, Mayan Gonçalves foi
questionado acerca da conança que tem naquele
que tem vindo a ser encarado como um novo Plano
Marshall da União Europeia, ou seja, a "bazuca"
nanceira, o pacote de recuperação de 1,8 biliões de
euros - cabendo a Portugal mais de 45 mil milhões
de euros -, um pacote que conjuga o orçamento
plurianual para 2021-2027 e o Fundo de Recuperação.
O liberal armou que se o plano for "Costa e Silva", com
a aplicação da maquia em atividades como grandes
obras públicas, não conará, contudo, defende que
esta seja aplicada em atividades como o alívio scal
aos portugueses.
Marisa Matias vs Tiago Mayan Gonçalves.
"Há sinais preocupantes e temos de fazer
o que está ao nosso alcance"
NOTICIAS JornalPortuguês 12/01/21 8
Após o assalto ao coração da democracia americana,
muitos apontam o dedo a Trump, por inspirar
fanáticos éis do Qanon e os violentos Proud Boys.
O mundo olhou com horror para o impensável, esta
quarta-feira, quando hordas leais a um Presidente
derrotado tomaram de assalto o Capitólio, símbolo
máximo da democracia liberal americana, sonhando
reverter os resultados das presidenciais em plena
contagem dos votos do colégio eleitoral. A contagem
seria retomada durante a noite, formalizando a vitória
do democrata Joe Biden, que terá nas suas mãos um
país cada vez mais polarizado, ainda em estado de
choque após este ataque.
Senadores, congressistas e funcionários – alguns
ouvidos a rezar ou a ligar às suas famílias, em pânico –
tiveram de se barricar ou escapar por túneis, usando
máscaras de gás, devido ao gás lacrimogéneo lançado
nos corredores. Estavam cercados por uma multidão
furiosa, armada com bastões, escudos e agentes
químicos irritantes, que, para espanto de todos, furara
os cordões policiais. Os assaltantes chegaram até às
portas do hemiciclo, enquanto agentes no interior
tentavam man-los à distância, de arma apontada.
Do outro lado da porta estava, entre outros, Ashli
Babbitt, de 35 anos, uma veterana que serviu durante
14 anos na Força Aérea, tornada crente fanática na
teoria da conspiração Qanon, que vê o Presidente
derrotado como uma gura messiânica, destinada a
acabar com uma cabala de pedólos satânicos que
governam o mundo.
«Nada nos vai parar. Eles podem tentar, tentar e
tentar, mas a tempestade está aqui e vai abater-
se sobre DC nas próximas 24 horas… Vamos da
escuridão para a luz!», garantiu a veterana da Força
Aérea no Twitter, horas antes de ser lmada a trepar
a uma janela do Capitólio, acabando baleada pelas
forças de segurança e morrendo no local.
«Estou apática. Estou devastada», lamentou-se a
sogra de Babbitt, sem compreender o que levou a
nora a participar na invasão ao Capitólio. «Ninguém
em Washington noticou o meu lho, descobrimos
pela TV», contou ao New York Post.
Após a apressada retirada do Congresso, manifestantes
pavonearam-se nos lugares de congressistas e
senadores, invadindo gabinetes – incluindo o da
presidente da Câmara dos Representantes, Nancy
Pelosi, onde um homem se deixou fotografar com
os pés na secretária, deixando a nota «não vamos
recuar». Deixaram para trás dois artefactos explosivos
caseiros, encontrados e detonados em segurança
pelas autoridades, segundo a CNN.
Alguns tinham bonés vermelhos onde se lia «Make
America Great Again», outros equipamento tático
ou coletes à prova de balas, e também se viram
bandeiras da Confederação. Um manifestante até
usava chapéu de peles e cornos de viking, o tronco
nu tatuado com padrões tribais, a cara pintada de
azul e vermelho, com uma lança com uma bandeira
americana na mão. Muitos tiravam seles, outros
partiam vidros e roubavam artefactos das paredes,
num cenário que lembrava a série distópica Black
Mirror. «Donald Trump ganhou estas eleições»,
gritou-se a plenos pulmões da tribuna do Senado,
para gáudio da multidão.
Nos corredores, um polícia do Capitólio ferido, Brian
Sicknick, de 42 anos, conseguiu cambalear até ao
gabinete da sua divisão após ser agredido com um
extintor, segundo o New York Times. O agente acabou
por colapsar, com um coágulo no cérebro, sendo
transportado para o hospital, onde faleceu agarrado
a um ventilador, na manhã de quinta-feira. A sua
morte, a quinta conrmada na invasão ao Capitólio,
está a ser investigada como homicídio.
Numa cruel reviravolta do destino, Sicknick, veterano
da 1.ª Guerra do Golfo e da Guerra ao Terror, era ele
próprio apoiante de Trump. «O Brian é um herói e é
isso que eu gostaria que as pessoas recordassem»,
disse um irmão do agente falecido, em declarações
ao Daily Beast. «Ele sempre tentou fazer a coisa certa»,
acrescentou outro irmão.
Loucura oine
Quatro horas depois, quando as forças de segurança
nalmente recuperaram o controlo do coração
político da nação, a América preparava-se para o
rescaldo. Muitos apontaram o dedo ao Presidente
Trump, que horas antes zera um comício na Elipse,
um parque próximo da Casa Branca, repetindo
alegações não fundamentadas de fraude eleitoral.
«Nunca retomaremos o nosso país com fraqueza»,
declarou o Presidente, criticando os republicanos
que começavam a distanciar-se da tentativa falhada
de reverter os resultados das eleições, instigando
milhares de apoiantes a «marchar para o Capitólio»,
umas ruas abaixo.
Foi exatamente isso que eles zeram. Minutos após
o comício, às 13h em Washington (18h em Portugal
continental), começavam a circular centenas de posts
em redes sociais utilizadas pela extrema-direita, como
o Parler e o Gab, com indicações de que ruas usar
para evitar a polícia ou quais as melhores ferramentas
para arrombar portas. Umas hora depois, quando
Trump disparou críticas no Twitter sobre o seu vice-
presidente, Mike Pence, ao aperceber-se de que este
não perturbaria a contagem, surgem apelos a quem
estava dentro do Capitólio para apanharem o vice-
Estados Unidos. Engolidos
por uma tempestade de ódio
9 Jornal Português 12/01/21 NOTICIAS
presidente.
«Estas pessoas agiram porque estavam convencidas
de que uma eleição foi roubada», armou Renee
DiResta, investigadora do Stanford Internet
Observatory, especializada em movimentos online,
ao New York Times. «Esta é uma demonstração
do impacto de câmaras de eco no mundo real»,
considerou. «É uma impressionante repudiação
da ideia de que há um mundo online e um mundo
oine, que aquilo que é dito online de alguma
maneira se mantém online».
A loucura acumulada nos últimos anos, nos cantos da
internet, teve um papel bem visível na invasão. Aliás,
o viking’ trumpista mencionado anteriormente (foto
na pág. 56) foi identicado como Jake Angeli, que
trabalha como ator de voz, mas nos tempos livres dá
pelo nome de Xamã Q, um dos principais rostos do
Qanon, segundo o Arizona Republic.
Este movimento, que explodiu durante a pandemia,
é considerado central na organização dos protestos
pela reversão dos resultados eleitorais. Uma apoiante
do Qanon, Marjorie Greene, até foi eleita congressista
pelos republicanos, em novembro, enquanto o
Presidente recusava distanciar-se publicamente do
movimento.
«O que ouvi dizer sobre eles é que têm uma posição
muito dura contra a pedolia», chegou a declarar
Trump num debate presidencial, meses após salientar
que os crentes no Qanon eram patriotas e grandes
fãs seus.
Outro grupo que parece ter tido um papel decisivo
na invasão ao Capitólio foram os Proud Boys.
Orgulhosos machistas e chauvinistas pró-Ocidente,
uma «amálgama entre uma organização de direitos
dos homens e um ght club», como descreve a Vox,
conhecidos por agredir brutalmente manifestantes
antirracistas, os Proud Boys foram catapultados para
a fama mundial quando Trump hesitou em condená-
los num debate – foi noticiado que o recrutamento
do grupo cresceu exponencialmente a partir daí.
Desta vez, ao contrário do que se viu em muitas
manifestações violentas de extrema-direita nos
últimos anos, não foram vistos os polos pretos
e dourados da marca Fred Perry que servem de
uniforme dos Proud Boys.
Nas vésperas da invasão, o líder do grupo, Enrique
Tarrio, que acabara de ser libertado após ser detido
por destruição de propriedade – ao queimar uma
bandeira do Black Lives Matter numa igreja negra – e
posse ilegal de carregadores de munição expandidos,
prometeu que os Proud Boys estariam presentes
«incógnitos», vestidos de preto. «Vão aparecer em
números recorde», prometeu Tarrio no Parler, citado
pelo Business Insider. «Seis de janeiro vai ser épico!».
O Presidente não contribuiu para contrariar a noção
de que, de alguma forma, o ataque ao Capitólio teria
a sua aprovação. Só condenou o sucedido mais de
hora e meia após o começo da invasão, depois de
arranjar tempo para criticar Pence, apelando a que
os seus apoiantes se «mantivessem pacícos». E
não resistiu a reiterar as suas alegações de fraude,
referindo-se à turba como «pessoas muito especiais»,
num vídeo divulgado nas redes sociais.
«Voltem para casa. Nós adoramos-vos», prometeu
Trump. Acabou com as suas contas de Twitter e
Snapchat temporariamente bloqueadas, enquanto
o Facebook optou por suspendê-lo indenidamente,
pelo menos até ao nal da transição presidencial.
Trumpismo sem Trump
Parte do establishment republicano pode mostrar
vergonha de ter alimentado um monstro violento
nas entranhas da América (ver caixa na página 55),
mas as franjas mais radicais do partido não.
«Estão orgulhosos do que se passou aqui hoje?»,
perguntou um repórter da CNN, espantado, frente ao
Capitólio. «Absolutamente», garantiu uma apoiante
de Trump, uma resposta que se repetiu uma e outra
vez perante as câmaras. «Deveríamos ter continuado
a avançar lá dentro e arrancado os nossos senadores
cá para fora pelos cabelos».
Os meios de comunicação conservadores têm tido
diculdade em digerir o caso. Na Fox News, em
tempos o canal favorito de Trump até que decidiu
reconhecer a vitória de Biden, a reação foi de repúdio
pela violência, misturado com desculpabilização.
«Nos meus 60 anos a cobrir política nacional, nunca
vi nada como isto. Francamente, espero nunca ver
outra vez», lamentou Chris Wallace, pivô da secção
noticiosa da estação. Momentos depois, à hora da
opinião, Tucker Carlson, apresentador do segundo
programa mais visto no país, com uns 4,3 milhões
de espetadores por noite, sugeriu que esquerdistas
inltrados estavam por trás da invasão – a acusação
é comprovadamente falsa, os rostos dos instigadores
são bem visíveis, dado o seu desapreço pelo uso de
máscaras – e desculpabilizou o sucedido.
«Milhões de americanos acreditam sinceramente
que esta eleição foi uma fraude», lembrou Tucker,
um dos grandes responsáveis pela propagação das
alegações de fraude de Trump. «Chegámos a este
triste, caótico dia por uma razão. A culpa não é vossa.
A culpa é deles».
Mesmo que a derrota de Trump nas presidenciais
– somada à rejeição por parte do seu partido e às
acusações judiciais que tem pendentes – o deixe
à margem do panorama político, as sementes da
violência e da desconança no sistema eleitoral
americano estão plantadas. E há receios de que não
seja possível fechar a caixa de Pandora.
«O discernimento convencional defende geralmente
que não há trumpismo sem Trump, que, sem a
sua fama, a coligação que se uniu à sua volta não
sobreviveria muito tempo», escreveu a New York
Magazine. «A turba que invadiu o Capitólio levava
bandeiras de Trump, é verdade. Mas também levava
bandeiras da Confederação. É esse o aspeto do
trumpismo sem Trump, supremacia branca à moda
antiga, equipado com novos agravos».
«Apesar de a América ter sido sempre muito mais
complexa que a versão feia de si mesma, a terra de
Martin Luther King como de Trump, não há nada de
original na violência que esta Presidência inspira»,
considerou a revista. «A América continuará a ser a
América e Biden terá de descobrir como lidar com
isso».
NOTICIAS Jornal Português 12/01/21 10
Trump é cada vez mais renegado pelos seus aliados..
Só o tempo dirá se a violência no Capitólio foi o colapso
do universo paralelo criado por Donald Trump, onde
este ganhou as eleições e foi defraudado, ou o
começo de um novo capítulo da política americana.
Para já, sabemos que a invasão aprofundou as
fraturas no Partido Republicano, entre lealistas
de Trump e o grosso dos dirigentes republicanos,
que sustentaram a sua Presidência, desculpando
escândalos e aproveitando a sua popularidade junto
da base do partido.
Essa popularidade – nove em cada dez eleitores
republicanos apoiam Trump e 45% aprovam o
assalto ao Capitólio, segundo sondagens do YouGov
– não se esfumou. Mas já não é tão útil como há
umas semanas, quando o líder do Senado, Mitch
McConnell, acomodava as alegações de fraude do
Presidente, sempre com um olho atento à Geórgia,
onde a sua maioria, indispensável para bloquear a
agenda legislativa de Joe Biden, estava em risco.
Com a improvável vitória de dois senadores
democratas neste estado sulista, no mesmo dia em
que hordas de trumpistas avançaram sobre a capital,
cou claro que a administração Trump deixou para
trás um Partido Republicano tão devastado quanto
o Capitólio, onde senadores e congressistas se
reuniram entre estilhaços de vidro e portas partidas.
«Se nomearmos Trump vamos ser destruídos... E
vamos merecê-lo», avisara o senador republicano
Lindsey Graham em 2016, quando Trump era apenas
um potencial candidato presidencial. Algumas
profecias acabam por se autocumprir – mal Trump
foi eleito, Graham tornou-se um dos seus apoiantes
mais entusiásticos, sempre rotulado de «bajulador» e
«parasita» por boa parte da imprensa americana.
Esta quinta-feira, Graham decidiu que era altura de
saltar do barco. «Não contem comigo», declarou,
perante o Congresso. «Tivemos uma viagem dos
diabos», mas «o que é demais é demais», considerou,
reconhecendo a eleição de Joe Biden.
Juntam-se a Graham cada vez mais antigos aliados
de Trump, incluindo membros do seu gabinete. Seria
necessária a aprovação destes últimos, bem como
a assinatura do vice-presidente, para utilizar a 25.ª
emenda, que permite afastar um Presidente incapaz
– não deverá haver tempo para outro julgamento de
impeachment antes da tomada de posse de Biden, a
20 de janeiro.
Tanto democratas como alguns republicanos têm
apelado à remoção de Trump do seu posto – algo
que acabaria com a sua imunidade presidencial,
expondo-o à mira da justiça, numa altura em que é
investigado por fraude bancária e quebra das leis de
nanciamento eleitoral. Agora, Trump pode enfrentar
acusações ainda mais graves: a procuradoria de
Washington não exclui a hipótese de o acusar de
incitar a um motim, avançou a CNBC.
O Presidente já estará em discussão com o seu sta
sobre a possibilidade de se perdoar a si mesmo e
aqueles mais próximos de si, avançou o New York
Times. Mas esse expediente apenas o protegeria
de processos federais, não das várias acusações
estaduais que estão a ser preparadas.
Republicanos começam
a saltar fora do banco
11 Jornal Portugues 12/01/21 ADVERTISING
NOTICIAS Jornal Português 12/01/21 12
Após o cerco, o Congresso voltou ao trabalho para
formalizar a vitória de Joe Biden, enquanto os
republicanos perdiam a maioria no Senado.
O abismo político que separa uma metade dos
Estados Unidos da outra tomou forma esta quarta-
feira, quando apoiantes do Presidente Donald Trump
tomaram de assalto o Capitólio, a meio da contagem
de votos do colégio eleitoral, resultando em pelo
menos quatro mortos e 14 agentes de segurança
feridos, segundo as autoridades. Se os manifestantes
esperavam algum triunfo, uma espécie de golpe de
Estado improvisado, acabaram derrotados em toda a
linha. Durante a noite foi formalizada a vitória de Joe
Biden e vários lealistas de Trump desistiram das suas
alegações de fraude eleitoral não fundamentadas
face à violência, enquanto a Geórgia elegia dois
senadores democratas, tirando o controlo do Senado
aos republicanos.
As consequências para Donald Trump podem ir muito
para lá da mera perda de inuência política. O próprio
William Barr, procurador-geral dos EUA até há umas
semanas atrás, acusou o Presidente de orquestrar”
a invasão – que obrigou senadores, congressistas
e funcionários aterrorizados a refugiarem-se numa
base militar – “para pressionar o Congresso, declarou
à Associated Press.
Para já, enquanto Presidente, Trump tem imunidade
face à justiça, mas isso não durará muito tempo. No
melhor dos casos, dura até 20 de janeiro, quando
Biden toma posse, mas fala-se em retirar Trump do
cargo, recorrendo à 25.a emenda, que permite afastar
um Presidente errático ou incapacitado.
“O que se passou ontem no Capitólio foi uma
insurreição contra os Estados Unidos, incitada
pelo Presidente, declarou esta quinta-feira o líder
dos democratas no Senado, Chuck Schumer. “Este
Presidente não deveria manter o seu cargo nem mais
um dia, prometeu, Schumer comanda agora uma
maioria, mas não deverá ter tempo para a usar num
julgamento de impeachment a Trump.
Ao lado de Schumer, a exigir o uso da 25.a emenda
estão até senadores e congressistas republicados,
que durante tanto tempo apoiaram Trump,
salvando-o do impeachment no nal de 2019.
Temos um Presidente que parece desligado da
realidade, admitiu o congressista republicano Adam
Kinzinger, em declarações à CNN, apelando também
ao uso da 25.a emenda. “É a coisa certa a fazer pela
nossa democracia.
O uso da 25.a emenda requeria o apoio do gabinete
de Trump, bem como a assinatura do seu vice-
presidente, Mike Pence, que caria brevemente a
cargo do Executivo. Há uns dias, seria impensável que
Pence tivesse outra resposta que não um rotundo
não, receoso de perder o apoio dos éis de Trump
e minando uma eventual corrida à Casa Branca em
2024.
Contudo, desde quarta-feira que o vice-presidente
é persona non grata para Trump, quando cou claro
que não perturbaria a contagem dos votos. Mal o
Presidente derrotado tweetou que Pence “não teve
a coragem de fazer o que deveria ter sido feito,
em plena invasão do Capitólio começaram a surgir
apelos online aos seus apoiantes dentro do edifício
para que caçassem o vice-presidente, avançou o New
York Times.
Trump não contribuiu para alterar a noção de que,
de alguma forma, o ataque ao Capitólio teria a
sua aprovação. Só condenou o sucedido mais de
hora e meia após o começo da invasão, depois de
arranjar tempo para criticar Pence, apelando aos
seus apoiantes que se “mantivessem pacícos”.
Enquanto isso, estes agrediam agentes, roubavam
ou quebravam o que encontravam nas paredes,
arrombavam portas, vasculhavam escritórios e
deixavam para trás dois artefactos explosivos
caseiros, que foram encontrados e detonados de
forma segura pelas autoridades, segundo a CNN.
O Presidente não resistiu a reiterar as suas alegações
de fraude, referindo-se à turba como pessoas muito
especiais”, num vídeo divulgado nas redes sociais.
Voltem para casa. Nós adoramos-vos”, garantiu
Trump. Desde então viu as suas contas de Twitter
e Snapchat temporariamente bloqueadas, por
incentivo à violência, enquanto o Facebook optou
por suspendê-lo indenidamente, pelo menos até ao
nal da transição presidencial.
História perante os nossos olhos
Enquanto a democracia estava sob ataque na
capital, do outro lado do país, no sul, também se
fazia história. Foi eleito o primeiro senador negro da
Geórgia, Raphael Warnock, pastor da Igreja Baptista
de Ebenezer, antiga paróquia de Martin Luther King
Jr.
Numa Geórgia em profunda transformação
demográca e social, parte do chamado “novo sul”,
Warnock foi também o primeiro senador democrata
eleito na Geórgia este século, seguido, umas horas
depois, pelo antigo jornalista Jon Ossof. A sua eleição
selou o controlo democrata do Senado, dando a
Biden a maioria de que precisa para aprovar a sua
agenda legislativa.
Mais de 50 anos após o assassinato de King, parte das
discussões que marcaram a sua vida tiveram um papel
nos incidentes de quarta-feira. Perante a facilidade
com que apoiantes de Trump – alguns erguendo a
bandeira da Confederação – romperam barreiras
policiais rumo ao Capitólio, muitos não deixaram
de notar o reduzido aparato das autoridades e a sua
relativa contenção quando comparada com o que
se viu contra manifestações pacícas do Black Lives
Matter, no verão. Aí houve uso indiscriminado de gás
lacrimogéneo, balas de borracha e cargas policiais,
apanhando até jornalistas em direto.
“É sempre interessante ver como manifestantes
brancos podem encontrar tão pouca resistência ao
invadir o Capitólio com o vice-presidente lá, enquanto
manifestantes negros estariam mortos à frente do
edifício neste momento, notou a escritora Roxane
Gay, citada pelo Guardian. “O privilégio branco está
exposto como nunca, concordou o académico e
autor Ibram X Kendi.
Invasão "orquestrada" por Trump
culmina em derrota em toda a linha
13 JornalPortuguês 12/01/21 NOTICIAS
"Nada substitui a presença em sala de aula, mas
perante a situação que o país atravessa neste
momento percebemos que é preciso tomar medidas",
disse Manuel Pereira.
Os diretores escolares concordam com a reativação
do ensino à distância para os alunos mais velhos,
mantendo os restantes na escola. No entanto, pedem
que professores e funcionários das escolas sejam
considerados prioritários no plano de vacinação do
Governo contra a covid-19.
"Nada substitui a presença em sala de aula, mas
perante a situação que o país atravessa neste
momento percebemos que é preciso tomar medidas",
armou, à agência Lusa, Manuel Pereira, presidente
da Associação Nacional de Dirigentes Escolares
(ANDE).
Mesma opinião tem o presidente da Associação
Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas
Públicas (ANADEP), até porque que menos alunos na
escola diminui o número de pessoas nos transportes
públicos.
Para Filinto Lima, é melhor que sejam os mais velhos
a car em casa, pois têm mais maturidade para
acompanhar as aulas online.
Por outro lado, os dois responsáveis têm posições
diferentes relativamente ao critério de aplicação do
ensino à distância. Filinto Lima defende que este só
deve ser adotado nos "concelhos que estão na linha
vermelha", enquanto Manuel Pereira admite uma
medida de âmbito nacional, uma vez que "o país é
pequeno e a situação é grave em todo o país".
Quanto ao pré-escolar e ao ensino básico, ambos
consideram que deve continuar a ser presencial.
"A escola é um elevador social, mas a pandemia
mostrou-nos que com o ensino à distância foi para
muitos um elevador que só desceu", sublinhou Filinto
Lima, à agência Lusa.
Manuel Pereira lembrou também que no caso das
crianças com menos de 12 anos, os pais teriam de
car em casa.
Diretores escolares concordam
com aulas em casa para mais
velhos e pedem vacinação de
profissionais
NOTICIAS JornalPortuguês 12/01/21 14
A ministra da Saúde adiantou que, até sexta-feira
passada, já foram vacinadas 74 mil pessoas contra
a covid-19, entre prossionais do SNS, do hospital
das Forças Armadas, de Emergência Médica e de
instituições de idosos.
Marta Temido, que falava aos jornalistas antes da
reunião com a Task force do Plano de Vacinação
contra a covid-19, revelou ainda que, esta segunda-
feira, chegaram mais 79.950 vacinas da Pzer e que o
país receberá esta semana 8.400 doses da vacina da
Moderna.
A ministra deixou também um apelo para que
as pessoas se mantenham "seguras" até ao nal
da vacinação. "Estamos num momento em que
começamos a perspetivar os resultados da vacinação
que só acontecerá daqui a uns meses", acrescentou.
Ministra diz que esta semana
chegam 8.400 doses da vacina da
Moderna Mais de 70 mil pessoas
já receberam a vacina da Pfizer.
ADVERTISING JornalPortuguês 12/01/21 15
16 JornalPortuguês 12/01/21 noticias
O número de hospitalizações devido à covid-19
continua a aumentar, atualmente estão internadas
3.983 infetados.
Portugal atingiu, esta segunda-feira, um novo máximo
diário de mortes por covid-19, tendo registado 122
mortes nas últimas 24 horas, aumentando para 7.925
o número de vítimas mortais contabilizadas desde o
início da pandemia.
O boletim da DGS revela também que, no mesmo
período de tempo, foram diagnosticadas com a
doença mais 5.604 pessoas. Assim, o país soma agora
um total de 489.293 casos conrmados.
Lisboa e Vale do Tejo foi a região que registou um
maior número de contágios, com 2.158 novos casos,
segue-se o Norte com 1.498 infeções, o Centro com
997, o Alentejo com 519, os Açores com 138 e a
Madeira com 61.
Em relação aos dados trágicos dos óbitos, foi
também na região de Lisboa e Vale do Tejo que se
concentraram a maioria (47) das mortes por covid-19.
No Norte ocorreram 34 mortes, no Centro 28, no
Alentejo nove e no Algarve quatro. Os Açores e a
Madeira não registaram qualquer óbito associado à
doença.
O número de internamentos é agora de 3.983, mais
213 do que ontem, uma subida muito signicativa.
Nos cuidados intensivos encontram-se neste
momento 567, mais nove do que no balanço anterior.
Por outro lado, mais 2.948 pessoas recuperam da
doença, aumentando o total para 372.056.
Atualmente, existem 109.312 casos ativos da doença
e as autoridades de saúde têm sob vigilância 120.292
contactos.
Portugal regista novo
recorde de 122 óbitos. Número
de internamentos dispara
noticias JornalPortuguês 12/01/21 17
Já saíram outras pessoas que são chegadas ao
também antigo primeiro-ministro do PSD.
O fundador do partido Aliança e ex-líder Pedro
Santana Lopes está em reexão sobre a sua saída da
força política que fundou após a desliação do PSD.
Estará mesmo a preparar a sua saída e a decisão será
conhecida muito em breve, apurou o i. Sinal disso
mesmo está o facto de prosseguirem as desliações
de militantes do partido Aliança que integraram a
equipa dos primeiros cinquenta fundadores daquela
força política. Ou seja, já saíram mais pessoas que são
chegadas ao também antigo primeiro-ministro do
PSD.
De acordo com informações recolhidas pelo i,
desliaram nos últimos dias Rosário Águas, antiga
secretária de Estado, José Manuel Pereira da Costa,
antigo secretário de Defesa e ex-deputado, João
Navega, além de João Pessoa e Costa, guras que
acompanharam Santana Lopes na formação do novo
partido. Mas são esperadas mais desliações.
Tal como Nascer do Sol já tinha noticiado há duas
semanas, o embaixador Martins da Cruz ou guras
como Bruno Ferreira Costa e Ana Pedrosa-Augusto
desliaram-se após o congresso de setembro
passado.
Aliança. Pedro Santana
Lopes prepara saída
18 JornalPortuguês 12/01/21 Desporto
Advertising JornalPortuguês 12/01/21 19
20 JornalPortuguês 12/01/21 Desporto
Leões reforçam liderança debaixo de temporal
Nem a chuva nem o vento demovem o líder Sporting
da sua caminhada. Os leões venceram hoje o
Nacional por 2-0, em condições climatéricas muito
complicadas, e reforçaram a liderança da I Liga. Um
dia depois do adiamento do jogo devido ao forte
vento na Choupana, e num relvado muito pesado,
Nuno Santos marcou o primeiro golo ao minuto 43,
enquanto Jovane Cabral xou o resultado nal aos
90.
A ventania que fez adiar a partida por um dia mal
se fez sentir durante todo o duelo, mas as chuvas
que caíram intensivamente nos últimos dias, e
esporadicamente antes e durante o jogo, tornaram o
relvado muito difícil para a circulação da bola junto
à relva.
Luís Freire apostou na mesma equipa que venceu o
Tondela há duas jornadas, última vez que os alvinegros
jogaram na I Liga, em virtude do adiamento do duelo
com o Vitória de Guimarães, foi adiado devido a um
surto de covid-19 detetado no plantel dos minhotos.
Quanto ao Sporting, Rúben Amorim operou uma
alteração na equipa que recebeu e venceu o Sporting
de Braga na ronda anterior, com a entrada de Sporar
para o lugar de Tiago Tomás.
Ambas as equipas já previam um cenário como
aquele que vieram encontrar, pelo que o jogo direto
e as bolas paradas foram as armas prediletas, em
especial para o Sporting, que como era de esperar,
assumiu desde muito cedo as despesas do jogo.
Aos 8 minutos, Porro assinou o primeiro momento
de perigo, rematando por alto, pouco antes da linha
da grande área, após receber uma bola socada por
Daniel Guimarães para a zona frontal. Mas depois
assistiu-se a uma luta tremenda a meio campo, com
muitas perdas de bola de parte a parte, em grande
parte devido ao estado do tapete, que foi piorando
rapidamente com o decorrer do jogo.
Sem capacidade para chegar na frente com rapidez,
os verde-brancos foram tentado a meia distância, ou
então cruzamentos que foram morrendo na defesa
insular ou então nas mãos de Daniel Guimarães.
Perto da meia hora, o Nacional conseguiu nalmente
chegar com perigo até à área de Adán, mas Rochez,
que obrigou o guardião dos lisboetas a assinar uma
grande defesa, estava em fora de jogo. Logo de
seguida, e na sequência de uma bola longa, Pedro
Gonçalves aproveitou um mau alívio da defesa
madeirense para, em plena grande área, para atirar à
baliza. Daniel estava no lance, mas acabou por negar
o golo com a cara, defesa que lhe valeu depois duas
assistências.
O Sporting carregou no acelerador e empurrou o
Nacional para o seu último terço, ganhando uma
série de cantos consecutivos, e também faltas para
explorar lances de bola estudados de bola parada.
Aos 41 minutos, Nuno Santos, na cobrança de um
livre no enamento da linha da grande área, do lado
direito do ataque leonino, rematou em arco, levando
a bola a passar muito perto da trave da baliza dos
insulares.
A pressão da turma de Ruben Amorim acabou por
dar frutos pouco depois. Um cruzamento longo Nuno
Mendes foi bem aproveitado por Pedro Gonçalves,
que surgiu ao segundo poste para tocar para o poste
contrário, onde Nuno Santos apareceu para nalizar
de forma fácil. Antes do intervalo, o Nacional ainda
reagiu, mas a meia distância de João Camacho saiu
muito ao lado da baliza de Adán.
Em desvantagem e sem capacidade para chegar na
frente, Luis Freire procurou reforçar o jogo direto da
equipa fazendo entrar Gorré, por troca com Rúben
Micael. O Nacional voltou das cabines mais atrevido
no ataque e o extremo fez o primeiro remate do
segundo tempo, mas a bola saiu muito lado. Depois
foi a vez de Azouni tentar a sua sorte, mas Adán
segurou sem problemas.
O adiantamento das linhas alvinegras permitiu ao
Sporting usufruir de mais espaços, com a profundidade
a ser dada à exploração de Pedro Gonçalves, que aos
65, desperdiçou uma excelente oportunidade para
fazer o 2-0. Após tirar um adversário da frente, cou
com a baliza à sua mercê, mas o melhor artilheiro da
Liga rematou por cima.
Entretanto a chuva voltou a aparecer e com
intensidade, piorando o estado do relvado e
naturalmente a missão dos jogadores. Mas o Sporting
soube adaptar-se melhor ao clima adverso, uma vez
que foi sempre a equipa com maior objetividade
e melhor construção de jogo, perante um Nacional
que revelou discernimento, tanto no ataque como na
defesa.
Aos 83 minutos, Pedro Gonçalves viu o poste negar-
lhe o golo que mataria o jogo, mas já em período de
descontos uma desatenção de Lucas Kal facilitou o
momento que os leões procuraram com insistência
na reta nal da partida. O central do Nacional
permitiu que Tiago Tomás recuperasse a bola já perto
da pequena área, tendo este cruzado para o recém-
entrado Jovane encostar para o golo que desfez
todas as dúvidas quanto ao desfecho do marcador.
Mal o jogo acabou, toda a gente correu imediatamente
para o túnel. A chuvada pedia festejos em lugares
mais secos.
Nacional-Sporting, 0-2 (crónica)
DESPORTO JornalPortuguês 12/01/21 21
Paços com horizonte para a Europa
Já muito se escreveu sobre a diferença entre ter bola
e saber o que fazer com ela.
E se for preciso acrescentar mais um capítulo a essa
tese, pode recorrer-se a este jogo entre Belenenses e
P. Ferreira.
Ao intervalo, a equipa da casa tinha 67 por cento de
posse de bola. Perdia 1-0 e as melhores oportunidades
tinham sido do adversário.
Na segunda parte, esse dado que conta o tempo
em que cada equipa passa com a bola no seu poder
chegou a andar nos 70 por cento para o Belenenses.
Que perdeu 2-0 e pouco ou nenhum perigo foi capaz
de criar sem ser de bola parada.
E por isso é que a equipa de Pepa sai desta partida
com pouca bola, é certo, mas com três pontos que
lhe permitem isolar-se no quinto lugar da Liga.
Enquanto o Belenenses leva a bola para casa, mas
mantém-se em zona perigosa e agora com apenas
mais um ponto do que o último classicado.
Mas são tantas as diferenças que separam Belenenses
e P. Ferreira.
Claro que a tranquilidade vale muito em jogos
decididos em detalhes. Mas aquilo que se viu nesta
noite gélida no Jamor foi uma equipa que se sente
confortável em todos os momentos do jogo.
O conjunto de Pepa defende quando tem de
defender. É perigoso quando mete velocidade, cria
perigo nas bolas paradas e não tem problemas em
jogar em ataque continuado.
Já o Belenenses, que se viu a perder desde o minuto
12 com um penálti convertido por Bruno Costa,
mostra diculdades quando tem de construir e sem
Varela falta-lhe velocidade para as transições. E por
isso, o conforto que tem a defender de pouco lhe vale
quando tem de correr atrás de um resultado.
O Belenenses também criou perigo nesta partida,
tem de se ressalvar isso. Mas tirando um remate de
Miguel Cardoso aos 4m, apenas o conseguiu fazer em
bolas paradas.
E ainda há uma outra diferença gigante entre P.
Ferreira e Belenenses.
A perder, Petit olhou para o banco e tirou de campo
o avançado Cassierra para lançar um extremo,
Chico Teixeira. Mais tarde, ainda lançou dois médios
defensivos. Jogou com o que tinha.
Pepa fez saltar do banco João Amaral e Diaby. Os
homens que lhe selaram o resultado já nos descontos.
É um mundo de diferença. Enquanto um tenta fugir
a correr do fundo, o outro caminha tranquilamente
com a Europa no horizonte.
Belenenses-P. Ferreira, 0-2 (crónica)
22 JornalPortuguês 12/01/21 Desporto Desporto
Guerreiros na perseguição ao pódio
Os ventos da Madeira empurraram o arranque da 13.ª
jornada para o Minho, cabendo a Sp. Braga e Marítimo
abrir as hostilidades. Foi mais forte o conjunto
bracarense, ao vencer com golos de Iuri Medeiros e
Ricardo Horta (2-1), mantendo-se na perseguição aos
lugares da frente.
A atravessar uma boa fase, parecendo ter-se
encontrado com Milton Mendes no comando técnico,
o Marítimo foi pouco acutilante, cando à mercê de
um Sp. Braga que, vindo de uma derrota em Alvalade,
não quis perder de vista o pódio.
Num embate órfão das referências ofensivas, uma
vez que Paulinho e Rodrigo Pinho desfalcaram os
ataques de Sp. Braga e Marítimo, respetivamente, o
jogo parece ter-se ressentido da ausência, por lesão,
dos pontas de lança.
Tagueu desperdiça, Iuri não
O embate foi, então, rendilhado e sem grandes
lances de frisson junto das balizas, apesar de
até começar de forma prometedora. Logo nos
instantes iniciais Musrati deu a bola a Joel Tagueu,
que cou completamente isolado, mas parece ter-
se deslumbrado com tamanha oferta atirando à
malha lateral despois de driblar Matheus. Estava
completamente sozinho!
Entrada em alerta do Sp Braga, que voltou a ser
igual a si mesmo. Teve domínio do jogo, jogou
quase exclusivamente no meio campo adversário,
mas, mesmo estando por cima, denotou alguma
diculdades em penetrar no último reduto insular.
Ainda assim, ia tendo alguns lances de nalização,
chegando ao golo a dez minutos do intervalo. Subida
proveitosa de Esgaio pela direita, servindo depois Iuri
Medeiros com as medidas certas, para o extremo
desviar de forma subtil com o pé esquerdo para o
fundo das redes.
Reação tardia
Com o Sp. Braga em vantagem e sem necessidade
de se expor a uma possível reação do Marítimo,
os pupilos de Carlos Carvalhal retiraram o pé de
acelerador. Por seu turno, os insulares demonstravam
diculdades para criar lances de perigo.
Neste limbo, estando o jogo amorfo, ao minuto
67 Ricardo Horta inscreveu o seu nome na história
do jogo, fazendo o segundo golo e, pensava-se,
arrumando com a questão.
Só que o Marítimo ainda tinha uma palavra a dizer.
Sem sofrer golos em casa nos últimos três jogos,
lançado por Milton Mendes, Milson saltou do banco
do Marítimo para bater Matheus e manter a incerteza
no jogo até nal.
A reação foi insuciente para tirar os três pontos ao
Sp. Braga, que reage com um triunfo ao desaire com
o Sporting, mantendo-se na corrida pelos lugares
cimeiros.
Sp. Braga-Marítimo, 2-1 (crónica)
DESPORTO Jornal Português 12/01/21 23
Intenção traída com galo de Denis
Estádio de São Luís, Faro
Denis deu um grande galo - não o de Barcelos - e
acabou, já nos minutos nais, com a vontade da sua
equipa em tentar evitar a derrota, principalmente
quando teve vantagem numérica após a expulsão de
Licá aos 60 minutos. Os algarvios conseguem uma
vitória importante, antes da deslocação a Guimarães
e da receção ao FC Porto. E largam a última posição
da classicação e a zona de descida.
Afetado por uma onda de lesões, Sérgio Vieira não
pôde contar com oito jogadores, três deles defesas
centrais e Cláudio Falcão, médio que tem atuado
nessa posição devido aos problemas físicos que têm
afetado o setor. Neste domingo, mais uma vez, o
treinador do Farense foi obrigado a adaptar Bura ao
lado de Cássio Scheid, que não era utilizado desde a
3.ª jornada, na derrota frente ao Benca. E só dispôs de
oito suplentes, dois deles guarda-redes. E neste jogo,
mais um jogador teve que ser substituído por lesão
ainda antes do intervalo, o extremo Hugo Seco, após
toque de Rodrigão, no início da jogada que originou
o golo de Lourency, além de Licá ter sido expulso,
aumentando assim ainda mais as diculdades do
treinador para o próximo jogo, em Guimarães. No
Gil Vicente, Ricardo Soares também não contou com
João Afonso e Ygor Nogueira, infetados com covid-19.
FILME, FICHA DE JOGO E VÍDEOS DOS GOLOS
Com grande ecácia, o Farense chegou rapidamente
a uma vantagem de dois golos. Aos 10 minutos,
Stojiljkovic elevou-se mais alto do que Ruben
Fernandes no centro da defesa e desviou de cabeça,
dando a melhor sequência a um livre de Amine, na
esquerda. Os algarvios marcaram na primeira grande
oportunidade do jogo e voltaram a fazê-lo cinco
minutos depois por Licá, assistido por Hugo Seco, que
aproveitou uma hesitação de Rodrigão: o extremo
cou com a bola e endossou-a a Licá, que só teve
de encostar para a baliza deserta. Segundos antes,
Samuel Lino num trabalho individual na esquerda,
rematou cruzado ao lado, naquela que foi a primeira
grande ocasião dos gilistas.
Num jogo movimentado, com frequentes acelerações
das duas equipas e várias transições, o Gil Vicente
reduziu antes da meia-hora, por Lourency. O extremo
rematou forte e colocado de fora da área, depois de
ter tirado Alex Pinto da frente e etido da esquerda
para o centro. Rera-se que o VAR ainda analisou uma
possível falta de Rodrigão sobre Hugo Seco no início
da jogada, mas não encontrou razões para assinalar
infração.
Perto do intervalo, o Farense poderia ter aumentado
a vantagem, após boa iniciativa de Madi Queta, que
solicitou a entrada de Ryan Gauld nas costas da
defesa gilista, com o escocês depois a tentar colocar
em Stojiljkovic na área, mas Talocha cortou para
canto. Na sequência, Cássio Scheid cabeceou sem
oposição, mas a bola foi direitinha para as mãos de
Denis.
A expulsão de Licá, após alerta do VAR a Hugo Miguel,
motivou a equipa de Ricardo Soares, que depois
do equilíbrio até esse momento tomou de assalto
o último reduto algarvio, mas, rera-se, raras vezes
colocou em perigo a baliza de Defendi. Para contrariar
esse sentido ao jogo dado pelo gilistas, Sérgio
Vieira equilibrou a sua equipa em 4x4x1, colocando
velocidade nas alas para tentar surpreender.
O Gil Vicente teve posse mas faltou-lhe denição.
E, nunca conseguiu tirar partido da vantagem
numérica, raramente entrando na área farense,
limitando-se a cruzamentos facilmente anulados.
E até foi dos algarvios a melhor oportunidade para
aumentar a vantagem, num contra-ataque entre
Madi Queta e Ryan gauld, com o remate do extremo
luso guineense a ser desviado por Ruben Fernandes.
A seis minutos do nal, o jogo cou sentenciado,
com Denis a dar um grande frango (leia-se... galo),
deixando a bola passar ao lado das mãos, num
disparo de Fabrício Isidoro.
Farense-Gil Vicente, 3-1 (crónica)
24 Jornal Português 24 Jornal Português 12/01/21 12/01/21 DESPORTO DESPORTO
Rota gelada para águas tranquilas
O Rio Ave regressou nesta sexta-feira às vitórias na
Liga, após quatro derrotas e dois empates nas últimas
seis jornadas. A formação orientada por Pedro Cunha
foi claramente superior ao Portimonense (3-0), numa
noite gélida em Vila do Conde.
Depois de uma primeira parte sem golos, Pelé
inaugurou a contagem na sequência de uma grande
penalidade e Ryotaro Meshino fez o segundo para a
equipa nortenha. Os algarvios tentaram responder
e Carlos Mané, em lance de contra-ataque, xou o
resultado nal, marcando o golo 900 do Rio Ave na
primeira divisão.
Com este resultado, o Rio Ave afasta-se da linha
de água, saltando para o 9.º lugar, à condição.
O Portimonense, por seu turno, continua na
antepenúltima posição, cando à mercê de Boavista
e Farense.
FICHA DE JOGO
Pedro Cunha, que assumiu o comando técnico da
equipa de Vila do Conde após a saída de Mário Silva,
apostou na titularidade de Ryotaro Meshino, por
troca com André Pereira, e o japonês cotou-se como
a melhor unidade em campo.
O Portimonense até entrou melhor no jogo,
apresentando o reforço Ewerton no onze, mas o Rio
Ave soube explorar as fragilidades defensivas do
adversário e tirou partido da velocidade dos homens
da frente para criar mais perigo na primeira parte.
Samuel, o guarda-redes visitante, conseguiu adiar o
golo da equipa nortenha até ao minuto 51. O central
Maurício António tentou ntar Francisco Geraldes
junto à linha lateral e perdeu a bola. O médio serviu
Gelson Dala e o avançado caiu na área, em duelo com
Lucas Possignolo. Na cobrança do castigo máximo,
Pelé inaugurou o marcador.
O Rio Ave colocou-se em vantagem com naturalidade
e chegou rapidamente ao segundo. Pouco depois,
Meshino recebeu à entrada da área do Portimonense,
foi procurando espaço para o remate e, perante
a apatia da defensiva contrária, rematou cruzado,
rasteiro, sem hipóteses para Samuel.
Paulo Sérgio tentou responder de imediato, colocando
várias unidades ofensivas (incluindo Bruno Moreira,
avançado que saiu precisamente do Rio Ave), mas
a sua equipa sentiu enormes diculdades para criar
lances de verdadeiro perigo. Em contra-ataque, os
vila-condenses foram sempre mais perigosos e viriam
a chegar ao 3-0 por intermédio de Carlos Mané, com
um remate cruzado de pé esquerdo, após passe de
Gelson Dala (78m).
Nota nal para o regresso de Fábio Coentrão à
competição. O esquerdino do Rio Ave lesionou-se
na primeira jornada da Liga, a 25 de outubro, e foi
lançado na reta nal da receção ao Portimonense.
Rio Ave-Portimonense, 3-0 (crónica)
25 Jornal Português 25 Jornal Português 12/01/21 12/01/21 DESPORTODESPORTO
Positivo, mas pouco
«Temos de ser melhores do que o adversário em
todos os momentos do jogo. Se pudermos ganhar
com nota artística, ideal, no Benca só ganhar não
chega. É isso que pretendemos fazer e é para isso que
trabalhamos durante a semana. A nossa ideia é voltar
às vitórias.»
A frase é de Jorge Jesus, na conferência de imprensa
de antevisão à receção do Benca ao Tondela.
Uma das ideias, diga-se, foi concretizada com sucesso.
No Estádio da Luz, o Benca venceu o Tondela, por 2-0,
e regressou às vitórias, depois do empate registado
nos Açores, com o Santa Clara. Os encarnados
mantêm-se a quatro pontos do líder Sporting, que
minutos antes ganhou na Madeira, ante o Nacional.
A outra ideia, a da nota artística, é que esteve muito
longe de concretizar-se.
Mas atenção, ponto prévio: a vitória das águias foi
inteiramente justa e não merece qualquer tipo de
discussão. O clube da Luz esteve sempre por cima
do jogo, passou 80 por cento do tempo instalado
no meio-campo adversário e teve oportunidades
sucientes para conseguir um resultado mais
dilatado.
Mas, ainda assim, foi curto, quando comparado
ao que esta equipa já fez, no início da temporada,
e em relação ao tal Benca «arrasador» que Jesus
prometera quando foi apresentado, no verão.
O técnico das águias fez regressar Pizzi para o meio-
campo, para fazer dupla com Weigl, e juntou o
também regressado Seferovic a Darwin Núñez.
Mas não se pode dizer que tenha sido uma aposta
propriamente ganha.
O Benca teve muita bola, instalou-se desde cedo no
meio-campo de um Tondela que também não teve
a astúcia necessária para incomodar Vlachodimos,
mas, durante grande parte do tempo, foi só isso.
Weigl e Pizzi deram alguma qualidade de circulação
à formação da casa, que depois tinha pouco
seguimento no último terço. Gilberto e Grimaldo
jogaram muito projetados no ataque, mas sempre
com tendência para procurar terrenos interiores. Aí, o
jogo afunilava e facilitava a tarefa ao conjunto beirão,
compacto e bem organizado defensivamente.
No primeiro tempo, só mesmo Darwin, aos 24
minutos, obrigou Babacar Niasse a defesa apertada.
De resto, o Benca foi ameaçando aqui e ali, mas
sem grandes sobressaltos para o guarda-redes
tondelense.
Passe de Pizzi desbloqueou o marcador, Murillo
assustou e Waldschmidt... descansou Jesus
A etapa complementar começou praticamente com
o 1-0: Pizzi, com um grande passe, descobriu Darwin
e o uruguaio assistiu Seferovic. Se nos primeiros 45
minutos, as coisas não tinham resultado para a dupla
de avançados, na segunda parte só precisaram de 11
minutos para fazer mossa.
A partir daí, o jogo descomplicou-se para o Benca.
Os encarnados continuaram a ter o domínio do jogo,
sem nunca, no entanto, ameaçar muito a baliza de
Niasse, e foram conseguir manter o Tondela afastado
da sua baliza.
Até aos 86 minutos: já depois de um primeiro aviso
tímido de Salvador Agra, Jhon Murillo surgiu na cara
do golo e quase empatou o jogo. Valeu Vlachodimos
e Vertonghen, que despachou a bola quase em cima
da linha de golo.
Nos descontos, Darwin voltou a servir um
companheiro para o 2-0 nal, desta feita Luca
Waldschmidt. Do grande susto provocado por
Murillo, minutos antes, as águias passaram para um
resultado mais confortável, mas não convincente, até
por força desse calafrio nal.
Se, como Jesus diz, «no Benca só ganhar não chega»,
bem pode dizer-se que esta foi mais uma noite em
que o técnico das águias não pode car satisfeito, já
que a nota artística, ao contrário do frio, raramente
apareceu, apesar do golo de belo efeito de Seferovic
– pela jogada em si. Dado triunfo, o jogo foi positivo
para o emblema da Luz, sim. Mas pouco.
Benfica-Tondela, 2-0 (crónica)
26 Jornal Português 26 Jornal Português 12/01/21 12/01/21 DESPORTO DESPORTO
Dois momentos eletrizantes num dérbi sem luz
Apenas dois momentos eletrizantes, com dois golos
num curto espaço de tempo, conferiram algum
dinamismo a um dérbi vimaranense frio que acabou
com uma igualdade a duas bolas (2-2). As duas
equipas estiveram em vantagem no marcador, mas
permitiram o empate quase de imediato.
No último lance do encontro a luz falhou no Parque
de Jogos Comendador Joaquim de Almeida Freitas,
o que levou a que se esperasse quase vinte minutos
para disputar meia dúzia de segundos. O pontapé de
canto do Moreirense bateu-se ainda sem a luz na sua
plenitude, para que Artur Soares Dias desse o jogo
por terminado.
Vasco Seabra estreia-se no comando técnico do
Moreirense com um empate caseiro, a premiar
essencialmente a organização da equipa de Moreira
de Cónegos perante um vizinho que foi mais
acutilante, mas que, em abono da verdade, dominou
territorialmente mas conseguiu poucos lances de
verdadeiro perigo.
Com seis casos de Covid-19 no plantel, o Vitória
apresentou-se sem Rochinha, Estupiñán e Bruno
Duarte, enquanto que no Moreirense Vasco Seabra
fez apenas uma alteração, forçada, fazendo jogar
Afonso Figueiredo no lugar do lesionado Conté.
Prometedor mas sem sequência
O dérbi entre Moreirense e Vitória até se iniciou
de forma prometedora, muito tático, mas, ao
mesmo tempo, aguerrido e com intensidade para
ser cativante. A organização do Moreirense, uma
equipa compacta a retirar os espaços ao adversário,
condicionando o jogo de um Vitória mais acutilante.
Com um quarto de hora cumprido, não permitindo
grandes lances de perigo ao adversário, mesmo
tendo menos bola, o Moreirense adiantou-se no
marcador mostrando outra faceta: letalidade quando
era capaz de roubar o esférico ao adversário em
zona de nalização. Foi isso que Pires fez. Ganhou
o ressalto a Jorge Fernandes num lance que não
aparentava perigo e esgueirou-se pela esquerda
para a área, rematando depois de forma exímia, não
dando chances a Bruno Varela, mesmo de ângulo
apertado.
Seguiu-se a melhor fase do Vitória, empatando
em apenas cinco minutos e rondando a baliza do
Moreirense de forma ameaçadora, ainda que mesmo
criar perigo, perspetivando-se um segundo golo.
Edwards fez o empate de cabeça numa boa jogada
de envolvência atacante do Vitória, a corresponder a
um cruzamento teleguiado de André André.
Esse segundo golo não apareceu e a segunda metade
do primeiro tempo acabou por ser sensaborona, sem
rasgos de genialidade ou lances dignos de registo. O
joga ia dando mais Vitória, mas o Moreirense chegava
para manter a sua baliza longe de perigo.
Dois golos em três minutos destoam da escuridão
Mantiveram-se as cautelas na segunda metade, com
as duas equipas a calcular o risco, sem se exporem
ao adversário. Tais cautelas tiverem repercussões na
criatividade de parte a parte, escasseando lances de
perigo.
Após o marasmo seguiu-se novo pequeno período
eletrizante com dois golos em apenas três minutos,
desta vez com ordem invertida. Com alguma
naturalidade, dado chamar a sai a iniciativa de jogo,
o Vitória operou a cambalhota no marcador com um
grande golo de André André, a traçar um trabalho
sublime no interior da área.
Mas a vantagem durou apenas três minutos. O
Moreirense igualou de imediato por intermédio de
Alex Soares. Yan trabalho na direita, serviu Filipe
Soares que rematou para defesa de Bruno Varela,
sendo que na recarga o outro irmão, Alex Soares,
estabeleceu o empate nal.
Os golos destoaram da escuridão de ideias no
segundo tempo. No primeiro jogo de 2021 o Vitória
não conseguiu retomar os triunfos, empatando num
embate em que dominou mas teve diculdades no
último terço do terreno.
Moreirense-V. Guimarães, 2-2 (crónica)
27 Jornal Português 27 Jornal Português 12/01/21 12/01/21 DESPORTO DESPORTO27 Jornal Português 27 Jornal Português 12/01/21 12/01/21 DESPORTO DESPORTO
FC Porto tem fama de invencível e teve também o
proveito
E vão nove vitórias consecutivas para o FC Porto. Os
dragões, pressionados pelos triunfos de Sporting,
Benca e Sp. Braga, foram a Famalicão alcançar um
triunfo seguro, que mantem a equipa de Sérgio
Conceição no segundo lugar do campeonato.
Um erro de Diogo Leite podia ter complicado a
vida aos portistas, mas os famalicenses nunca
conseguiram incomodar verdadeiramente os azuis
e brancos. Mehdi Taremi bisou na partida e ainda
esteve no lance do penálti, que deu o golo a Sérgio
Oliveira. João Mário estreou-se a marcar pela equipa
principal do FC Porto e fechou a contagem. Jhonata
Robert marcou o tento de honra famalicense.
Entrada forte do dragão
Para esta partida, Sérgio Conceição mudou dois
jogadores em relação à vitória frente ao Moreirense.
Manafá cou de fora por ter testado positivo à
Covid19 – tal como Fábio Vieira e Carraça – e foi
substituído por Nanu. Já Otávio, depois de cumprir
dois jogos de castigo, voltou a ocupar a ala esquerda
dos dragões, relegando Luis Diaz para o banco de
suplentes.
Frente a frente estavam o melhor ataque e a pior
defesa. Talvez por isso, João Pedro Sousa surpreendeu
ao mudar o habitual 4-3-3 para uma defesa com
três centrais. Já sem Rúben Lameiras, que rumou
ao Vitória de Guimarães, o técnico estreou outro
Rúben, o Vinagre, lateral esquerdo que chega por
empréstimo do Wolverhampton.
Com a derrota em Famalicão na temporada passada
ainda na memória - e com o empate famalicense frente
ao líder Sporting -, os dragões entraram a dominar e
a encostar a turma antriã lá atrás. O relógio ainda
não tinha chegado ao quarto de hora e já os azuis e
brancos estavam na frente do marcador. Nanu lançou
em profundidade em Corona, o mexicano foi à linha
de fundo e cruzou atrasado para Mehdi Taremi que
atirou a contar. Ato contínuo, Corono surgiu solto
na área com um remate acrobático para as mãos de
Vaná, hoje titular.
O FC Porto era senhor do jogo, mas um erro de Diogo
Leite relançou a partida. O central abordou mal o
lance, foi ultrapassado por Anderson e acabou por
derrubar o avançado brasileiro. Na conversão do
castigo máximo, Jhonata Robert não perdoou. Há
três jogos que o Famalicão não marcava qualquer
golo.
Cimentar a vitória
No entanto, os famalicenses retribuíram a oferta
azul e branca e pagaram na mesma moeda.
Desentendimento na defesa e Taremi a antecipar-
se a Vaná, acabando derrubado pelo guardião
brasileiro. Grande penalidade assinalada que Sérgio
Oliveira transformou em golo. Foi o sétimo tento do
internacional português na I Liga.
Na segunda parte, o Famalicão tentou pressionar a
equipa portista logo na fase de construção, mas os
dragões foram ultrapassando com maior ou menor
diculdade o adversário. No entanto, os locais
continuavam sem conseguir criar jogo e só chegavam
à baliza contrária em lances individuais ou de bola
parada.
Assim, voltou a ser o FC Porto a marcar. Após canto,
o esférico sobrou para a entrada da área onde Otávio
tirou novo cruzamento para a cabeça de Mehdi
Taremi, que bisou no encontro. Era o golo que dava
tranquilidade à formação orientada por Sérgio
Conceição e que voltava a acentuar as diculdades
da turma antriã nos lances de bola parada.
João Pedro Sousa, insatisfeito com o resultado, desfez
a tática dos três centrais e apostou mais no ataque.
Contudo, pouco mudou e continuaram a ser os azuis
e brancos a mandar na partida. À medida que o jogo
decorria para o m, os dragões baixaram o ritmo e
aproveitou o Famalicão para car perto do golo,
valeram duas fantásticas defesas de Marchesín.
Na resposta, num rápido contra ataque, João Mário
estreou-se a marcar pela equipa principal e fechou a
contagem em 1-4.
Famalicão-FC Porto, 1-4 (crónica)
28 DESPORTO 28 DESPORTO JornalPortuguês JornalPortuguês 12/01/21
Meia-hora de aula não chega para tirar boa nota
Não saber o que querer é uma abstenção perigosa.
Na vida e no jogo. Com Jesualdo, o Boavista terá
percebido o caminho a seguir, mas é raro alguém
ganhar jogos só com meia-hora de grande qualidade.
O Boavista cresce, sim, embora atormentado por
hesitações compreensíveis em quem mudou de
líder e quer voltar a ser grande. O empate premeia
a maturidade do Santa Clara, amparado no agitador
Carlos Júnior.
A escolha que se colocava ao Boavista, de pés na terra
após os sonhos que os nomes fortes e o dinheiro fresco
trouxeram, prendia-se com o regime em que pretende
ser feliz. Mais do que táticas e posicionamentos,
importava perceber as opções de Jesualdo Ferreira
na estratégia. E aí já não residem dúvidas: o Bessa
quer voltar a ser um forte inexpugnável.
Escrevemo-lo convictamente porque vimos a
melhor meia-hora do Boavista nesta época. E não
nos estamos a esquecer do baile perfeito dado ao
Benca ainda no tempo de Vasco Seabra. Durante
30 minutos, o Boavista de Jesualdo foi o Boavista dos
boavisteiros que viram o clube a crescer nos anos 70
e 80, que viram o emblema a afrontar os maiores na
década de 90, que foi campeão e andou pela Liga dos
Campeões no início do século.
Segurança na posse de bola, movimentações
imprevisíveis na frente, a doçura de Angel Gomes e a
selvajaria de Elis a entenderem-se às mil maravilhas.
O problema é que o Boavista chegou aos 30 minutos
só com um golo marcado – passe perfeito de Show e
receção/nalização exemplares de Nuno Santos – e o
Santa Clara perfeitamente vivo, apesar de atordoado.
9-0 em remates e 64-36 em posse de bola ajudavam
a perceber a superioridade das ideias de Jesualdo
e a audácia de um futebol que, houvesse gente
no estádio, levantaria as bancadas. Não chegou. E
não chegou porque guiado por um desinquietador
chamado Carlos, o Santa Clara fez quatro remates –
os primeiros no jogo – entre os 32 e os 38 minutos. À
quarta ameaça, um belo golo de cabeça e o empate
feito.
30 minutos para o Boavista, oito minutos para o Santa
Clara, 1-1 no marcador. É assim o futebol.
Claro que o empate e o despertar do Santa Clara,
equipa num plano evolutivo superior, levantou
dúvidas e reavivou velhos fantasmas no Boavista. A
equipa teve alguns minutos de tremedeira, encolheu-
se até, mas o intervalo deu-lhe o chá quente e a
conversa paternal que precisava.
No segundo tempo, objetivamente, a palavra-chave
foi equilíbrio. Houve menos oportunidades de golo,
menos futebol de qualidade, e mais agressividade,
intensidade e maus fígados. O jogo podia ter caído
para qualquer lado, embora seja importante lembrar
que a melhor oportunidade voltou a ser do Boavista.
Alberth Elis fez um «chapéu» de abas perfeitas a
Marco, a bola jurava entrar na baliza açoriana e Mikel
Villanueva, em esforço, tirou-a em cima da linha. Teria
sido, quiçá, um prémio justo para a certeza ideológica
ensinada pelo professor Jesualdo. A aula foi boa, mas
a nota ainda só é razoável.
Boavista-Santa Clara, 1-1 (crónica)