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Jornal Portugues Australia 12/01/2021

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Portuguese Rádio Pty Ltd T/as Jornal Português ABN: 61 092 909 987 ACN: 092 909 987 Jornal PortuguêsJornal PortuguêsPORTUGUESE NEWSPAPER weekly Digital Edition N: 120121Terça-feiraTerça-feira 12/01/21 12/01/21 AustráliaAustrália“Quanto maior a gravidade, mais restritivas devem ser as medidas”, explicou o primeiro-ministro.O primeiro-ministro armou, esta segunda-feira, que o connamento iminente será muito semelhante ao que começou em março do ano passado."Desde o último conselho de ministros tenho vindo a deixar muito claro que aquilo que será decretado será algo muito próximo do que tivemos no primeiro connamento logo em março e abril, de forma a que as pessoas se possam ir preparando para a adoção dessas medidas”, adiantou António Costa."Algumas medidas serão publicadas com pouca distância da data da implementação", revelou o primeiro-ministro, fazendo a ressalva de que o "calendário da tomada de decisão é complexo" e que medidas são para "cumprir na máxima velocidade".“Quanto maior a gravidade, mais restritivas devem ser as medidas”, avisou ainda, sublinhando que é preciso responder ao “desao” de controlar a crise sanitária, mantendo a economia estável.Novo confinamento será muito próximo do de março e abril, revelou Costa

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2 JornalPortuguês 2 JornalPortuguês 12/01/21 12/01/21 NoticiasNoticiasOMS diz que países pobres ainda não receberam vacinas contra a covid-19.A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse, esta sexta-feira, que os países pobres ainda estão sem vacinas contra a covid-19 e avisou que o “nacionalismo das vacinas” é “autodestrutivo”.Em conferência de imprensa, Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, disse que, neste momento, há 42 países que estão a distribuir vacinas "seguras e ecazes". Destes, 36 são países de alto rendimento e seis de rendimento médio."Portanto, há um claro problema de que os países de baixo e médio rendimento ainda não estão a receber a vacina", alertou.O responsável revelou ainda que o mecanismo COVAX - criado pela OMS e outras entidades para promover uma distribuição equilibrada de vacinas - já assegurou contratos de dois mil milhões de vacinas contra a covid-19. Tedros Ghebreyesus destacou que os países ricos começaram por comprar a maior parte do fornecimento de vacinas e que há países ricos, que fazem parte da COVAX, que estão a fazer acordos bilaterais adicionais."Apelo aos países e fabricantes para deixarem de fazer acordos bilaterais à custa da COVAX", disse, apelando ainda os países que compraram mais vacinas do que aquelas de que necessitam, "e que estão a controlar o fornecimento global", para as doarem à COVAX.O responsável lembrou que esta situação poderá levar ao aumento dos preços da vacina e faz com que as pessoas dos países mais pobres e que são de alto risco não a possam receber.OMS diz que "nacionalismo das vacinas" é "autodestrutivo" e pede fim de acordos bilaterais

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JornalPortuguês 12/01/21 3Vamos SERCOVIDSAFEjuntosVamos continuar a nos mantermos seguros juntos.Visite health.gov.au para mais informações, ou ligue para oNational Coronavirus Helpline no 1800 020 080.Para serviços de tradução e interpretação ligue para 131 450.Todos nós temos de continuar fazendo escolhas COVIDSafepara ajudar a impedir a disseminação.• Mantenha distanciamento físico em espaços públicos.• Use uma máscara quando necessário.• Pratique boa higiene.• Proteja os outros e que em casa se você não se sentir bem. Se tiver sintomas de resfriado ou gripe faça o teste de COVID-19.• Tenha o COVIDSafe app.Autorizado pelo Governo Australiano, Camberra

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4 JornalPortuguês 12/01/21 NOTICIASDebate começou de forma amigável, mas as águas caram agitadas quando se falou sobre o Chega e uma possível ilegalização do partido. Ana Gomes fez ainda uma referência a Ricardo Salgado e o atual Presidente da República não gostou e chamou o nome de Rui Pinto para a conversa. No debate, Marcelo disse que "não há" alternativa a um novo connamento geral.O debate entre a candidata presidencial Ana Gomes e o candidato e Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, deste sábado, na RTP, arrancou com o combate à pandemia como tema de fundo.Ana Gomes foi a primeira a intervir e foi questionada sobre se as medidas agora equacionadas pelo Governo, nomeadamente um novo connamento, não estarão a demorar demasiado tempo. “Eu não tenho sucientes elementos para me posicionar sobre isso. Quem sabe é quem ouve os especialistas e os cientistas”, disse. Contudo, notou que considera que as eleições foram marcadas demasiado tarde. A preocupação, numa altura em que a situação epidemiológica não é a melhor, é "a abstenção".“Não sei como é que as pessoas vão votar, em particular as pessoas com mais de 80 anos”, disse.“Há muito tempo que se sabia que iria haver uma segunda vaga, e havia preparativos a fazer pela Comissão Nacional de Eleições atempadamente”, acrescentou, alertando ainda para o facto de os emigrantes não poderem votar.Questionada sobre se estava a responsabilizar Marcelo, a ex-eurodeputada foi clara: “Foi o presidente da República que marcou” as eleições.Marcelo começou por saudar a “embaixadora” Ana Gomes e destacou o “importante papel” que esta teve para Timor-Leste, bem como deputada europeia e comentadora.Sobre a pandemia, o candidato e Presidente começou por lembrar que tomou a decisão de renovar o estado de emergência por apenas oito dias, precisamente porque “os números eram baixos”, tinham sido feitos “poucos testes” e não haviam “dados sucientes”. Agora "temos números", mas o candidato considera importante esperar pela reunião com os especialistas no Infarmed, na terça-feira, “para encontrar respostas concretas”.Quanto à data das eleições, Marcelo defendeu que a Constituição só permitia duas datas possíveis – 17 ou 24 de janeiro – e lembrou que esperou até 24 de novembro por uma lei da Assembleia da República sobre o voto antecipado e sobre o voto em isolamento prolático. O candidato disse ainda que era preciso saber a posição dos partidos quanto a um “eventual adiamento” e que os recebeu nesse sentido. “Perguntei-lhes”, explicou Marcelo, acrescentando que a resposta foi negativa.Depois de Ana Gomes reforçar a prioridade de proteger os grupos de risco e, ao mesmo tempo, permitir-lhes ir votar, nomeadamente os utentes dos lares, Marcelo disse que tem três métodos possíveis: O primeiro parte das autoridades sanitárias que interpretam que os utentes dos lares se incluem na lei do voto de quem está em isolamento prolático, o segundo é a assinatura de um decreto de forma isolada ou, o terceiro, o Presidente, no decreto assinado na quarta-feira, assina expressamente a questão de se equiparar o isolamento prolático aos utentes dos lares.Questionada sobre se responsabiliza Marcelo pelo que está a acontecer, Ana Gomes admite que é uma situação “difícil”, mas com a “experiência que temos” recomendaria uma proteção a grupos especícos e não um connamento geral.“Eu assumo a responsabilidade”, disse Marcelo, admitindo que a coordenação entre os Ministérios da Saúde e da Segurança Social “não correu bem”. “Já admiti há 1 mês e meio”, reforçou, reconhecendo que as expectativas sobre a vacinação e a decisão de aliviar as medidas no Natal tiveram impacto na atual situação. Contudo, lembra que ouviu os partidos sobre a questão das medidas, e todos “se posicionarem nesse sentido”. “A decisão teve o efeito que teve”, armou.Ana Gomes vs Marcelo. O debate que aqueceu no tema Chega e na referência a Ricardo Salgado

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Jornal Português Jornal Português 12/01/21 3 3“Falei num pacto de conança com os portugueses que não funcionou. Mas assumo as responsabilidades”, disse, defendendo depois que “não há alternativa ao connamento geral”.Ana Gomes foi ainda confrontada com o facto de ter dito que Marcelo era o grande “instabilizador” do Estado. A ex-eurodeputada diz que o Presidente deve apresentar soluções e “não deve oscilar entre ser o pai do primeiro-ministro ou tirar-lhe o tapete, ou até assumir os louros da ação governativa”.“Penso que o Presidente podia contribuir mais para as soluções”, disse.Questionada sobre o caso do SEF em especíco, Ana Gomes disse que houve “graves erros de todos os agentes de estado e também de Marcelo, que só atuou tarde”. “Houve nove meses de silêncio”, disse, referindo que as falhas foram não só no conforto à viúva, como também em “cuidar” da reforma do SEF.“Esta é uma das matérias onde eu faria diferente”, frisou, insistindo que o nosso sistema é “semipresidencialista” e, por isso, é suposto o Presidente fazer juízos políticos. “Marcelo Rebelo de Sousa não fez isso nos Açores”, atirou, responsabilizando o atual chefe de Estado pela “normalização de uma força de extrema-direita”, o Chega.Para Ana Gomes a solução era dar posse ao partido mais votado, “como fez Cavaco Silva em 2015”.Marcelo começou por responder a Ana Gomes com citações da própria. “Senhora embaixadora tem de estabilizar a sua opinião sobre o Presidente da República”, atirou. “Até ao dia seguinte de apresentar a candidatura achava que a colaboração com o Governo tinha sido magníca”, destacou Marcelo, que disse ainda que quem “mudou de posição” foi Ana Gomes, “que disse que o primeiro-ministro era igual a Órban”.O candidato a Belém continuou a sua intervenção e assegurou que interveio no caso do SEF “logo em abril” e que “a reforma do SEF estava a ser tratada em diálogo com o Governo”, uma vez que já era parte do plano do executivo. “Intervim logo no início e não no m e depois também chamo a atenção que z opção de não fazer o telefonema mas a senhora embaixadora que é tão atenta e arguta esteve esse tempo todo sem reparar que o Presidente não tinha intervindo”, disse Marcelo, que questionou depois se não é contraproducente isolar Ventura.“Aparecem os partidos ouvidos por ordem cresceste, temos acordos. Não aconteceu assim no caso das legislativas? Como é que um PR recusa uma maioria parlamentar?”, questionou.Ana Gomes respondeu dizendo que o Chega foi um partido legalizado com assinaturas falsas”. “A lei não é para cumprir nesta matéria? Além de que tem um programa claramente anti-constitucional”, disse.Marcelo reforçou que não concorda com o caminho da ilegalização. “Calá-los é vitimizá-los, não é preciso proibi-los, é preciso vencê-los pelas ideias”, disse, questionado depois porque Ana Gomes não apresentou queixa ao Ministério Público, enquanto cidadão, uma vez que estava tão “indignada”.“Porque é que não foi ao Ministério Público dizê-lo enquanto cidadã e só o diz agora que é candidata?”, questionou.“Esperei que os órgãos da República o zessem”, insistiu a candidata, defendendo que “jamais” permitirá o tipo de acordo que aconteceu nos Açores na Assembleia da República.Com os ânimos mais acesos, Ana Gomes chamou os “megaprocessos” para a conversa e considerou que o Presidente da República precisa de “dar os meios necessários para o combate à corrupção”.Marcelo disse que foi sempre contra os megaprocessos e Ana Gomes aproveitou o momento para falar em Ricardo Salgado.“Sei que o senhor professor, até pela sua relação com Ricardo Salgado, seja dos primeiros a ter interesse em que o caso seja apurado. E sete anos depois, o julgamento ainda nem sequer começou. E o caso BES está ligado ao caso Sócrates, aos casos de evasão scal”, disse Ana Gomes.Marcelo respondeu que se orgulha do trabalho desenvolvido ao longo do mandato, nomeadamente dos megaprocessos que avançaram: “Marquês, BES, Tancos, LEX”, enumerou.O candidato não gostou da referência a Ricardo Salgado, nomeadamente pela forma como foi feita por Ana Gomes, e lembrou que ex-líder do BES “foi nalmente acusado” no caso BES e teve três condenações.“Não sei se percebe o quão ofensivo é o que disse”, disse Marcelo. “Escusa de tentar atingir a minha integridade. Eu nunca diria de si aquilo que disse de mim”, atirou, falando depois no nome de Rui Pinto.Questionada sobre o método de Rui Pinto, Ana Gomes diz que é a justiça que tem de apurar se este cometeu crimes ou não,” mas também tem de valorizar o serviço cívico de interesse público que ele prestou ao revelar o que revelou”. A candidata disse ainda que gostava de ter ouvido a opinião do Presidente sobre o denunciante.“Falar sobre casos de justiça? Isso fala a senhora embaixadora, que é comentadora”, disse Marcelo, indignado, reforçando que não se expressa sobre processos criminais que estão em curso. “Devia ser muito bonito”, atirou.

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6 Jornal Português 12/01/21 NOTICIASComunista critica privados que só pensam no lucro da doença e Tino de Rans diz que o importante é "salvar vidas", mesmo que se tenha de “pagar mais um bocadinho".O debate, na RTP3, entre João Ferreira e Vitorino Silva, conhecido como Tino de Rans, começou com este último a dizer que ainda não tinha recebido qualquer convite para estar presente na reunião com o Infarmed, na próxima terça-feira, para o qual António Costa convidou os candidatos presidenciais."A casamentos e batizados vão os convidados", disse Vitorino Silva. Sobre a situação atual da pandemia, sublinhou que ainda não é demasiado tarde para adiar as eleições e que os idosos têm de ser protegidos nesta fase.João Ferreira também interveio sobre o ponto de situação da covid e o connamento iminente, fazendo questão de frisar que recusa a “dicotomia entre saúde e economia". O candidato comunista armou que "não há connamentos gerais”, e que “há milhares de trabalhadores que não connaram". Defendeu, por isso, que faltam medidas de proteção no local de trabalho e nos lares. "Precisamos de canalizar os apoios para quem deles realmente necessita", sublinhou.Seguiu-se uma discussão sobre o papel dos privados e a relação com o setor público da saúde, que já tem sido muito abordada em debates anteriores. João Ferreira começou por dizer: "Não podemos ignorar o que os grandes grupos zeram nesta área". E esclareceu: "Sempre houve recurso aos privados, ele nunca esteve em causa". No entanto, considera que os portugueses não querem que recursos públicos sirvam para sustentar quem lucra com a doença. “Não é aceitável que haja aqui da parte dos privados de escolha à la carte do que lhes interessa”, armou.Já Vitorino Silva defendeu que o Estado deve sim recorrer aos privados para "salvar vidas", mesmo que para isso tenha de “pagar mais um bocadinho". "Uma vida não tem preço", disse, sublinhando que o “lucro é uma coisa natural” e que “não pode morrer ninguém”.“Se é preciso mais gente, é preciso meter mais gente”, armou ainda, defendendo um maior investimento na saúde.Sobre as revisões constitucionais, João Ferreira considera que o país não ganhou com as alterações e que "não há democracia sem direitos, nem direitos sem desenvolvimento". Para o candidato comunista o texto atual “conserva a ambição do Portugal que está por cumprir”.Questionado sobre qual o seu modelo para o país, Vitorino Silva disse não ter nenhum, sublinhando que sente muito orgulho de ter nascido e vivido em Portugal. Defendeu que o país “não se pode fechar” e que “não se pode meter os binóculos ao contrário”.O candidato do RIR disse também não gostar de extremos, sejam de esquerda ou de direita.Questionado se daria posse a um Governo que integrasse o Chega, Vitorino Silva respondeu com um exemplo: “Imagine eu ter carta de condução, meto gasolina, gasóleo ou eletricidade e quando vou a conduzir tenho de respeitar os sinais. O partido Chega tem o alvará, se passar os sinais, o Presidente da República é um polícia”. “Agora, se não respeitar os sinais, claro que não toma posse”, acrescentou.Já para João Ferreira disse ser “um exercício grotesco e inaceitável colocar ao mesmo nível vítimas e carrascos”. O candidato da CDU garantiu que se fosse Presidente “tudo faria para não chegarmos à situação em que um partido dessa natureza [Chega] tivesse inuência governativa”.Para o comunista, esse tipo de partidos “instrumentaliza o descontentamento da população” e teria tido "uma iniciativa diferente” da de Marcelo Rebelo de Sousa no caso dos Açores, que “não chamou o partido mais votado a formar Governo e era o que devia ter feito”Vitorino Silva terminou dizendo que "seria o Presidente de todos os portugueses e seria o Presidente de André Ventura".João Ferreira vs Vitorino Silva. Setor privado da saúde e Chega em debate

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7 Jornal Português 12/01/21 NOTICIASDebate entre candidata do Bloco de Esquerda e candidato da Iniciativa Liberal.O último debate do espaço "A Caminho das Presidenciais", da SIC Notícias, contou com a presença de Marisa Matias - candidata do Bloco de Esquerda - e Tiago Mayan Gonçalves - candidato da Iniciativa Liberal. Mais uma vez, a jornalista Clara de Sousa desempenhou o papel de moderadora e começou por questionar a eurodeputada acerca do connamento geral que foi conrmado, este sábado, pela ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva. É de recordar que a dirigente explicou, depois de terminadas todas as audições em São Bento, que o connamento será semelhante àquele que se viveu no início da pandemia de covid-19 e que poderá implicar o encerramento da restauração e do comércio não-alimentar. Porém, os detalhes, deixou-os para depois do Conselho de Ministros. Na ótica de Marisa Matias, "há sinais preocupantes e temos de fazer o que está ao nosso alcance", sendo que o estado de emergência contribui para a diminuição dos contágios, no entanto, é necessário que existam "condições para que as pessoas possam cumprir" as medidas de segurança, pois faltam "respostas sociais e apoios económicos" governamentais.Neste sentido, Clara de Sousa questionou Tiago Mayan Gonçalves sobre as medidas restritivas que propôs, na medida em que é de salientar que, no passado dia 3 de janeiro, Mayan Gonçalves acusou Marcelo Rebelo de Sousa pela "destruição social" que acredita que o país enfrenta, sendo que adiantou que o atual Presidente passou "um cheque em branco" ao Governo, tendo igualmente acrescentado que o líder "andou a partilhar 'minis' e bolas de Berlim e a arranjar esquemas para ir para a praia. Este sábado, o candidato que se autodenomina como o primeiro "genuinamente liberal" não se afastou dos princípios que costuma divulgar e, mais uma vez, salientou que o país não suportará um novo connamento generalizado. "Se o primeiro-ministro está a mudar de opinião é porque algo muito grave se passa", disse, adiantando que participará na reunião do Infarmed com o objetivo de ouvir as opiniões dos especialistas. "Só vou poder perceber isso a partir de terça-feira", admitiu, não deixando de apelar a uma "indemnização imediata às atividades obrigadas a fechar".Na entrevista ao jornalista João Adelino Faria, em dezembro, Mayan Gonçalves responsabilizou a ministra da Saúde pelas opções tomadas no contexto pandémico, armando que a ideologia de Marta Temido "matou gente" em Portugal devido à "cegueira ideológica anti-privados". É de referir que o antigo presidente do Conselho de Jurisdição da Iniciativa Liberal culpabilizou Temido pelas então "dez mil mortes" provocadas pelo novo coronavírus, defendendo que "uma ministra que recusa utilizar toda a capacidade instalada de saúde no país para responder à pandemia não serve". Deste modo, Matias lembrou as declarações do adversário e assumiu: "Não gosto que se façam das mortes culpas políticas". De seguida, realçou que discorda da ideia de que "conseguimos controlar esta situação sem medidas", salientando igualmente que "não se pode votar contra o estado de emergência" como o opositor tem feito. "Defendo o SNS, defendo que numa condição de pandemia se devem mobilizar os privados a preço de custo. Vejo Tiago Mayan a pedir que se mobilizem os privados, que não haja estado de emergência, que a atividade econímica continue a existir. Agora, se é para dizer ao Estado que tem de indemnizar, já não percebo porque parece uma perspetiva socialista", avançou.Mas o político que esteve envolvido, desde o início, no movimento independente "Porto, o nosso Partido" não recuou e recordou que foi o Bloco de Esquerda que recusou o auxílio dos privados na Saúde. "Metade do excesso de mortes que está a correr em Portugal não é por causa da covid-19, esta situação é indesmentível e os políticos têm de ser responsabilizados", declarou, adicionando que "Portugal tem um valor distinto e muito superior" de óbitos pelo novo coronavírus quando comparado com outras nações europeias. "Há responsabilidades políticas que têm de ser assacadas", sublinhou, lançando farpas à oposição ao realçar que a colaboração com os privados devia ter sido preparada em março a "preços menores", sendo que, atualmente, na sua ótica, "corremos atrás do prejuízo" na medida em que "é impossível sabermos quanto vai custar neste momento". À semelhança daquilo que ocorreu no debate com Rebelo de Sousa, em que o mesmo criticou "o sonho e a utopia" do estado liberal, armando que "os países que eram contra o estado de emergência acabaram todos a adotá-lo", também a autora de obras relacionadas com o ambiente e a saúde pública demarcou-se do ponto de vista de Mayan Gonçalves. Matias frisou que "há uma diferença de fundo" entre ambos, pois "Tiago Mayan acha que estaríamos melhor com uma resposta de mercado" e não está de acordo com tal ideologia, explicitando que essa resposta é espelhada através dos "privados que queriam 13 mil euros por doente na primeira fase de covid-19 e de hospitais que fecharam", referindo que o setor público pode dar respostas ecazes "se houver investimento".Consequentemente, Clara de Sousa perguntou à investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra se os privados podem constituir um complemento e a mesma avançou que "há uma contradição entre o que Mayan disse e o que a Iniciativa Liberal diz", garantindo que "Mayan diz que quer um sistema universal, mas não é verdade". Assim, aludiu à ADSE (plano de proteção para a saúde destinado aos trabalhadores do Estado), declarando que "estender este sistema a toda a gente era estender contribuições, o que para um liberal seria um colossal aumento de impostos" e, portanto, Mayan Gonçalves pretende "pôr a ADSE a nanciar o Serviço Nacional de Saúde [SNS]". É de referir que, há dois dias, no debate com o candidato João Ferreira, do PCP, Mayan Gonçalves destacou: “Isto é uma prova do falhanço do Governo na gestão desta pandemia (...) As famílias não aguentam, os jovens não aguentam, os pequenos e médios empresários não aguentam. Temos de fazer o que ainda não zemos: usar toda a capacidade instalada do país, algo que não está a ser feito por preconceito ideológico do Governo”. Este sábado, Marisa Matias contrariou as ideias do candidato liberal, lembrando-o de que o SNS português é "Muito mais barato" do que aquele que existe noutros países da Europa que Mayan Gonçalves utiliza como exemplo.Em novembro, entrevistado por Miguel Sousa Tavares, na TVI, Mayan Gonçalves demonstrou que uma das suas propostas é a taxa única, um imposto sobre o rendimento que não é progressivo, contrariamente ao atual IRS, realçando que a medida abrange um limiar de exceção e, por isso, "ninguém vai pagar mais (...) praticamente toda a gente vai pagar menos". No debate com a candidata do Bloco de Esquerda, justicou que Portugal é um "inferno scal" tanto em taxas como em burocracias, o que leva a que "não cresçamos há décadas e que estejamos a caminho de sermos um dos países mais pobres da Europa", salientando que "grande parte do problema disto são as políticas scais". Assim, acolhe um período de transição, mas também cortes onde o "Estado está a mais", recordando que "o esforço scal dos portugueses tem sido aumentado continuamente ao longo das últimas décadas, as pessoas não vivem para pagar impostos, vivem para viver a sua vida e dar a sua comparticipação”.A 28 de dezembro, o Grupo Parlamentar do PSD entregou a lista de documentos, entidades e personalidades que almeja ouvir na comissão de inquérito ao Novo Banco, tendo solicitado audições com 76 pessoas e documentos a 13 entidades, como o Governo ou o Banco Central Europeu. O objetivo dos social-democratas é descobrir a "verdade material sobre a gestão do Novo Banco, desde o momento da sua Resolução até aos dias de hoje". Consequentemente, com o assunto em cima da mesa, Matias lembrou que a instituição bancária se converteu "num poço sem fundo". De seguida, a eurodeputada abordou o plano de reestruturação da TAP, criticando Mayan Gonçalves e dizendo que este "gosta de falências e que não se importa que milhares de pessoas vão para o desemprego", acrescentando igualmente que "é uma companhia de bandeira, a nossa maior exportadora e precisamos desse tipo de empresas", não defendendo que a mesma "seja entregue à Lufthansa". Ainda na temática do sistema nanceiro, e questionado sobre as soluções que se devem aplicar aos bancos que foram resgatados, Mayan Gonçalves explicou que a moderadora está a "criar uma alternativa sobre o que é que podia ter acontecido", rematando que "entre 2008 e agora, enterrámos 21 mil milhões de euros na banca", asseverando que "signicaria muito mais ajudar as empresas do que deixar cair o BES". Concluindo, o candidato liberal admitiu que "estamos num país "em que não há too big to fail", recorrendo à teoria através da qual se justica que certas empresas, particularmente, instituições nanceiras, são tão grandes e interconectadas que a sua falência seria desastrosa para o Governo e, deste modo, devem ser apoiadas pelos governos quando enfrentam a mesma. Sobre a TAP, Mayan Gonçalves explicou que, a seu ver, um processo de insolvência não signica o m, mas sim um "processo de reabilitação se a empresa for viável". Porém, a sua armação seguinte pareceu não se enquadrar nesta teoria. "Eu é que não vou ser acionista da TAP", disse.Nos minutos nais do debate, Mayan Gonçalves foi questionado acerca da conança que tem naquele que tem vindo a ser encarado como um novo Plano Marshall da União Europeia, ou seja, a "bazuca" nanceira, o pacote de recuperação de 1,8 biliões de euros - cabendo a Portugal mais de 45 mil milhões de euros -, um pacote que conjuga o orçamento plurianual para 2021-2027 e o Fundo de Recuperação. O liberal armou que se o plano for "Costa e Silva", com a aplicação da maquia em atividades como grandes obras públicas, não conará, contudo, defende que esta seja aplicada em atividades como o alívio scal aos portugueses.Marisa Matias vs Tiago Mayan Gonçalves. "Há sinais preocupantes e temos de fazer o que está ao nosso alcance"

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NOTICIAS JornalPortuguês 12/01/21 8Após o assalto ao coração da democracia americana, muitos apontam o dedo a Trump, por inspirar fanáticos éis do Qanon e os violentos Proud Boys. O mundo olhou com horror para o impensável, esta quarta-feira, quando hordas leais a um Presidente derrotado tomaram de assalto o Capitólio, símbolo máximo da democracia liberal americana, sonhando reverter os resultados das presidenciais em plena contagem dos votos do colégio eleitoral. A contagem seria retomada durante a noite, formalizando a vitória do democrata Joe Biden, que terá nas suas mãos um país cada vez mais polarizado, ainda em estado de choque após este ataque.Senadores, congressistas e funcionários – alguns ouvidos a rezar ou a ligar às suas famílias, em pânico – tiveram de se barricar ou escapar por túneis, usando máscaras de gás, devido ao gás lacrimogéneo lançado nos corredores. Estavam cercados por uma multidão furiosa, armada com bastões, escudos e agentes químicos irritantes, que, para espanto de todos, furara os cordões policiais. Os assaltantes chegaram até às portas do hemiciclo, enquanto agentes no interior tentavam mantê-los à distância, de arma apontada.Do outro lado da porta estava, entre outros, Ashli Babbitt, de 35 anos, uma veterana que serviu durante 14 anos na Força Aérea, tornada crente fanática na teoria da conspiração Qanon, que vê o Presidente derrotado como uma gura messiânica, destinada a acabar com uma cabala de pedólos satânicos que governam o mundo.«Nada nos vai parar. Eles podem tentar, tentar e tentar, mas a tempestade está aqui e vai abater-se sobre DC nas próximas 24 horas… Vamos da escuridão para a luz!», garantiu a veterana da Força Aérea no Twitter, horas antes de ser lmada a trepar a uma janela do Capitólio, acabando baleada pelas forças de segurança e morrendo no local.«Estou apática. Estou devastada», lamentou-se a sogra de Babbitt, sem compreender o que levou a nora a participar na invasão ao Capitólio. «Ninguém em Washington noticou o meu lho, descobrimos pela TV», contou ao New York Post.Após a apressada retirada do Congresso, manifestantes pavonearam-se nos lugares de congressistas e senadores, invadindo gabinetes – incluindo o da presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, onde um homem se deixou fotografar com os pés na secretária, deixando a nota «não vamos recuar». Deixaram para trás dois artefactos explosivos caseiros, encontrados e detonados em segurança pelas autoridades, segundo a CNN. Alguns tinham bonés vermelhos onde se lia «Make America Great Again», outros equipamento tático ou coletes à prova de balas, e também se viram bandeiras da Confederação. Um manifestante até usava chapéu de peles e cornos de viking, o tronco nu tatuado com padrões tribais, a cara pintada de azul e vermelho, com uma lança com uma bandeira americana na mão. Muitos tiravam seles, outros partiam vidros e roubavam artefactos das paredes, num cenário que lembrava a série distópica Black Mirror. «Donald Trump ganhou estas eleições», gritou-se a plenos pulmões da tribuna do Senado, para gáudio da multidão. Nos corredores, um polícia do Capitólio ferido, Brian Sicknick, de 42 anos, conseguiu cambalear até ao gabinete da sua divisão após ser agredido com um extintor, segundo o New York Times. O agente acabou por colapsar, com um coágulo no cérebro, sendo transportado para o hospital, onde faleceu agarrado a um ventilador, na manhã de quinta-feira. A sua morte, a quinta conrmada na invasão ao Capitólio, está a ser investigada como homicídio.Numa cruel reviravolta do destino, Sicknick, veterano da 1.ª Guerra do Golfo e da Guerra ao Terror, era ele próprio apoiante de Trump. «O Brian é um herói e é isso que eu gostaria que as pessoas recordassem», disse um irmão do agente falecido, em declarações ao Daily Beast. «Ele sempre tentou fazer a coisa certa», acrescentou outro irmão.Loucura oineQuatro horas depois, quando as forças de segurança nalmente recuperaram o controlo do coração político da nação, a América preparava-se para o rescaldo. Muitos apontaram o dedo ao Presidente Trump, que horas antes zera um comício na Elipse, um parque próximo da Casa Branca, repetindo alegações não fundamentadas de fraude eleitoral.«Nunca retomaremos o nosso país com fraqueza», declarou o Presidente, criticando os republicanos que começavam a distanciar-se da tentativa falhada de reverter os resultados das eleições, instigando milhares de apoiantes a «marchar para o Capitólio», umas ruas abaixo.Foi exatamente isso que eles zeram. Minutos após o comício, às 13h em Washington (18h em Portugal continental), começavam a circular centenas de posts em redes sociais utilizadas pela extrema-direita, como o Parler e o Gab, com indicações de que ruas usar para evitar a polícia ou quais as melhores ferramentas para arrombar portas. Umas hora depois, quando Trump disparou críticas no Twitter sobre o seu vice-presidente, Mike Pence, ao aperceber-se de que este não perturbaria a contagem, surgem apelos a quem estava dentro do Capitólio para apanharem o vice-Estados Unidos. Engolidos por uma tempestade de ódio

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9 Jornal Português 12/01/21 NOTICIASpresidente.«Estas pessoas agiram porque estavam convencidas de que uma eleição foi roubada», armou Renee DiResta, investigadora do Stanford Internet Observatory, especializada em movimentos online, ao New York Times. «Esta é uma demonstração do impacto de câmaras de eco no mundo real», considerou. «É uma impressionante repudiação da ideia de que há um mundo online e um mundo oine, que aquilo que é dito online de alguma maneira se mantém online».A loucura acumulada nos últimos anos, nos cantos da internet, teve um papel bem visível na invasão. Aliás, o ‘viking’ trumpista mencionado anteriormente (foto na pág. 56) foi identicado como Jake Angeli, que trabalha como ator de voz, mas nos tempos livres dá pelo nome de Xamã Q, um dos principais rostos do Qanon, segundo o Arizona Republic.Este movimento, que explodiu durante a pandemia, é considerado central na organização dos protestos pela reversão dos resultados eleitorais. Uma apoiante do Qanon, Marjorie Greene, até foi eleita congressista pelos republicanos, em novembro, enquanto o Presidente recusava distanciar-se publicamente do movimento.«O que ouvi dizer sobre eles é que têm uma posição muito dura contra a pedolia», chegou a declarar Trump num debate presidencial, meses após salientar que os crentes no Qanon eram patriotas e grandes fãs seus. Outro grupo que parece ter tido um papel decisivo na invasão ao Capitólio foram os Proud Boys. Orgulhosos machistas e chauvinistas pró-Ocidente, uma «amálgama entre uma organização de direitos dos homens e um ght club», como descreve a Vox, conhecidos por agredir brutalmente manifestantes antirracistas, os Proud Boys foram catapultados para a fama mundial quando Trump hesitou em condená-los num debate – foi noticiado que o recrutamento do grupo cresceu exponencialmente a partir daí.Desta vez, ao contrário do que se viu em muitas manifestações violentas de extrema-direita nos últimos anos, não foram vistos os polos pretos e dourados da marca Fred Perry que servem de uniforme dos Proud Boys.Nas vésperas da invasão, o líder do grupo, Enrique Tarrio, que acabara de ser libertado após ser detido por destruição de propriedade – ao queimar uma bandeira do Black Lives Matter numa igreja negra – e posse ilegal de carregadores de munição expandidos, prometeu que os Proud Boys estariam presentes «incógnitos», vestidos de preto. «Vão aparecer em números recorde», prometeu Tarrio no Parler, citado pelo Business Insider. «Seis de janeiro vai ser épico!».O Presidente não contribuiu para contrariar a noção de que, de alguma forma, o ataque ao Capitólio teria a sua aprovação. Só condenou o sucedido mais de hora e meia após o começo da invasão, depois de arranjar tempo para criticar Pence, apelando a que os seus apoiantes se «mantivessem pacícos». E não resistiu a reiterar as suas alegações de fraude, referindo-se à turba como «pessoas muito especiais», num vídeo divulgado nas redes sociais.«Voltem para casa. Nós adoramos-vos», prometeu Trump. Acabou com as suas contas de Twitter e Snapchat temporariamente bloqueadas, enquanto o Facebook optou por suspendê-lo indenidamente, pelo menos até ao nal da transição presidencial.Trumpismo sem TrumpParte do establishment republicano pode mostrar vergonha de ter alimentado um monstro violento nas entranhas da América (ver caixa na página 55), mas as franjas mais radicais do partido não.«Estão orgulhosos do que se passou aqui hoje?», perguntou um repórter da CNN, espantado, frente ao Capitólio. «Absolutamente», garantiu uma apoiante de Trump, uma resposta que se repetiu uma e outra vez perante as câmaras. «Deveríamos ter continuado a avançar lá dentro e arrancado os nossos senadores cá para fora pelos cabelos».Os meios de comunicação conservadores têm tido diculdade em digerir o caso. Na Fox News, em tempos o canal favorito de Trump até que decidiu reconhecer a vitória de Biden, a reação foi de repúdio pela violência, misturado com desculpabilização.«Nos meus 60 anos a cobrir política nacional, nunca vi nada como isto. Francamente, espero nunca ver outra vez», lamentou Chris Wallace, pivô da secção noticiosa da estação. Momentos depois, à hora da opinião, Tucker Carlson, apresentador do segundo programa mais visto no país, com uns 4,3 milhões de espetadores por noite, sugeriu que esquerdistas inltrados estavam por trás da invasão – a acusação é comprovadamente falsa, os rostos dos instigadores são bem visíveis, dado o seu desapreço pelo uso de máscaras – e desculpabilizou o sucedido. «Milhões de americanos acreditam sinceramente que esta eleição foi uma fraude», lembrou Tucker, um dos grandes responsáveis pela propagação das alegações de fraude de Trump. «Chegámos a este triste, caótico dia por uma razão. A culpa não é vossa. A culpa é deles».Mesmo que a derrota de Trump nas presidenciais – somada à rejeição por parte do seu partido e às acusações judiciais que tem pendentes – o deixe à margem do panorama político, as sementes da violência e da desconança no sistema eleitoral americano estão plantadas. E há receios de que não seja possível fechar a caixa de Pandora. «O discernimento convencional defende geralmente que não há trumpismo sem Trump, que, sem a sua fama, a coligação que se uniu à sua volta não sobreviveria muito tempo», escreveu a New York Magazine. «A turba que invadiu o Capitólio levava bandeiras de Trump, é verdade. Mas também levava bandeiras da Confederação. É esse o aspeto do trumpismo sem Trump, supremacia branca à moda antiga, equipado com novos agravos». «Apesar de a América ter sido sempre muito mais complexa que a versão feia de si mesma, a terra de Martin Luther King como de Trump, não há nada de original na violência que esta Presidência inspira», considerou a revista. «A América continuará a ser a América e Biden terá de descobrir como lidar com isso».

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NOTICIAS Jornal Português 12/01/21 10Trump é cada vez mais renegado pelos seus aliados..Só o tempo dirá se a violência no Capitólio foi o colapso do universo paralelo criado por Donald Trump, onde este ganhou as eleições e foi defraudado, ou o começo de um novo capítulo da política americana. Para já, sabemos que a invasão aprofundou as fraturas no Partido Republicano, entre lealistas de Trump e o grosso dos dirigentes republicanos, que sustentaram a sua Presidência, desculpando escândalos e aproveitando a sua popularidade junto da base do partido.Essa popularidade – nove em cada dez eleitores republicanos apoiam Trump e 45% aprovam o assalto ao Capitólio, segundo sondagens do YouGov – não se esfumou. Mas já não é tão útil como há umas semanas, quando o líder do Senado, Mitch McConnell, acomodava as alegações de fraude do Presidente, sempre com um olho atento à Geórgia, onde a sua maioria, indispensável para bloquear a agenda legislativa de Joe Biden, estava em risco.Com a improvável vitória de dois senadores democratas neste estado sulista, no mesmo dia em que hordas de trumpistas avançaram sobre a capital, cou claro que a administração Trump deixou para trás um Partido Republicano tão devastado quanto o Capitólio, onde senadores e congressistas se reuniram entre estilhaços de vidro e portas partidas.«Se nomearmos Trump vamos ser destruídos... E vamos merecê-lo», avisara o senador republicano Lindsey Graham em 2016, quando Trump era apenas um potencial candidato presidencial. Algumas profecias acabam por se autocumprir – mal Trump foi eleito, Graham tornou-se um dos seus apoiantes mais entusiásticos, sempre rotulado de «bajulador» e «parasita» por boa parte da imprensa americana.Esta quinta-feira, Graham decidiu que era altura de saltar do barco. «Não contem comigo», declarou, perante o Congresso. «Tivemos uma viagem dos diabos», mas «o que é demais é demais», considerou, reconhecendo a eleição de Joe Biden.Juntam-se a Graham cada vez mais antigos aliados de Trump, incluindo membros do seu gabinete. Seria necessária a aprovação destes últimos, bem como a assinatura do vice-presidente, para utilizar a 25.ª emenda, que permite afastar um Presidente incapaz – não deverá haver tempo para outro julgamento de impeachment antes da tomada de posse de Biden, a 20 de janeiro.Tanto democratas como alguns republicanos têm apelado à remoção de Trump do seu posto – algo que acabaria com a sua imunidade presidencial, expondo-o à mira da justiça, numa altura em que é investigado por fraude bancária e quebra das leis de nanciamento eleitoral. Agora, Trump pode enfrentar acusações ainda mais graves: a procuradoria de Washington não exclui a hipótese de o acusar de incitar a um motim, avançou a CNBC.O Presidente já estará em discussão com o seu sta sobre a possibilidade de se perdoar a si mesmo e aqueles mais próximos de si, avançou o New York Times. Mas esse expediente apenas o protegeria de processos federais, não das várias acusações estaduais que estão a ser preparadas.Republicanos começam a saltar fora do banco

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NOTICIAS Jornal Português 12/01/21 12Após o cerco, o Congresso voltou ao trabalho para formalizar a vitória de Joe Biden, enquanto os republicanos perdiam a maioria no Senado.O abismo político que separa uma metade dos Estados Unidos da outra tomou forma esta quarta-feira, quando apoiantes do Presidente Donald Trump tomaram de assalto o Capitólio, a meio da contagem de votos do colégio eleitoral, resultando em pelo menos quatro mortos e 14 agentes de segurança feridos, segundo as autoridades. Se os manifestantes esperavam algum triunfo, uma espécie de golpe de Estado improvisado, acabaram derrotados em toda a linha. Durante a noite foi formalizada a vitória de Joe Biden e vários lealistas de Trump desistiram das suas alegações de fraude eleitoral não fundamentadas face à violência, enquanto a Geórgia elegia dois senadores democratas, tirando o controlo do Senado aos republicanos.As consequências para Donald Trump podem ir muito para lá da mera perda de inuência política. O próprio William Barr, procurador-geral dos EUA até há umas semanas atrás, acusou o Presidente de “orquestrar” a invasão – que obrigou senadores, congressistas e funcionários aterrorizados a refugiarem-se numa base militar – “para pressionar o Congresso”, declarou à Associated Press.Para já, enquanto Presidente, Trump tem imunidade face à justiça, mas isso não durará muito tempo. No melhor dos casos, dura até 20 de janeiro, quando Biden toma posse, mas fala-se em retirar Trump do cargo, recorrendo à 25.a emenda, que permite afastar um Presidente errático ou incapacitado.“O que se passou ontem no Capitólio foi uma insurreição contra os Estados Unidos, incitada pelo Presidente”, declarou esta quinta-feira o líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer. “Este Presidente não deveria manter o seu cargo nem mais um dia”, prometeu, Schumer comanda agora uma maioria, mas não deverá ter tempo para a usar num julgamento de impeachment a Trump.Ao lado de Schumer, a exigir o uso da 25.a emenda estão até senadores e congressistas republicados, que durante tanto tempo apoiaram Trump, salvando-o do impeachment no nal de 2019. “Temos um Presidente que parece desligado da realidade”, admitiu o congressista republicano Adam Kinzinger, em declarações à CNN, apelando também ao uso da 25.a emenda. “É a coisa certa a fazer pela nossa democracia”.O uso da 25.a emenda requeria o apoio do gabinete de Trump, bem como a assinatura do seu vice-presidente, Mike Pence, que caria brevemente a cargo do Executivo. Há uns dias, seria impensável que Pence tivesse outra resposta que não um rotundo não, receoso de perder o apoio dos éis de Trump e minando uma eventual corrida à Casa Branca em 2024.Contudo, desde quarta-feira que o vice-presidente é persona non grata para Trump, quando cou claro que não perturbaria a contagem dos votos. Mal o Presidente derrotado tweetou que Pence “não teve a coragem de fazer o que deveria ter sido feito”, em plena invasão do Capitólio começaram a surgir apelos online aos seus apoiantes dentro do edifício para que caçassem o vice-presidente, avançou o New York Times.Trump não contribuiu para alterar a noção de que, de alguma forma, o ataque ao Capitólio teria a sua aprovação. Só condenou o sucedido mais de hora e meia após o começo da invasão, depois de arranjar tempo para criticar Pence, apelando aos seus apoiantes que se “mantivessem pacícos”. Enquanto isso, estes agrediam agentes, roubavam ou quebravam o que encontravam nas paredes, arrombavam portas, vasculhavam escritórios e deixavam para trás dois artefactos explosivos caseiros, que foram encontrados e detonados de forma segura pelas autoridades, segundo a CNN.O Presidente não resistiu a reiterar as suas alegações de fraude, referindo-se à turba como “pessoas muito especiais”, num vídeo divulgado nas redes sociais. “Voltem para casa. Nós adoramos-vos”, garantiu Trump. Desde então viu as suas contas de Twitter e Snapchat temporariamente bloqueadas, por incentivo à violência, enquanto o Facebook optou por suspendê-lo indenidamente, pelo menos até ao nal da transição presidencial.História perante os nossos olhosEnquanto a democracia estava sob ataque na capital, do outro lado do país, no sul, também se fazia história. Foi eleito o primeiro senador negro da Geórgia, Raphael Warnock, pastor da Igreja Baptista de Ebenezer, antiga paróquia de Martin Luther King Jr.Numa Geórgia em profunda transformação demográca e social, parte do chamado “novo sul”, Warnock foi também o primeiro senador democrata eleito na Geórgia este século, seguido, umas horas depois, pelo antigo jornalista Jon Ossof. A sua eleição selou o controlo democrata do Senado, dando a Biden a maioria de que precisa para aprovar a sua agenda legislativa.Mais de 50 anos após o assassinato de King, parte das discussões que marcaram a sua vida tiveram um papel nos incidentes de quarta-feira. Perante a facilidade com que apoiantes de Trump – alguns erguendo a bandeira da Confederação – romperam barreiras policiais rumo ao Capitólio, muitos não deixaram de notar o reduzido aparato das autoridades e a sua relativa contenção quando comparada com o que se viu contra manifestações pacícas do Black Lives Matter, no verão. Aí houve uso indiscriminado de gás lacrimogéneo, balas de borracha e cargas policiais, apanhando até jornalistas em direto.“É sempre interessante ver como manifestantes brancos podem encontrar tão pouca resistência ao invadir o Capitólio com o vice-presidente lá, enquanto manifestantes negros estariam mortos à frente do edifício neste momento”, notou a escritora Roxane Gay, citada pelo Guardian. “O privilégio branco está exposto como nunca”, concordou o académico e autor Ibram X Kendi.Invasão "orquestrada" por Trump culmina em derrota em toda a linha

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13 JornalPortuguês 12/01/21 NOTICIAS"Nada substitui a presença em sala de aula, mas perante a situação que o país atravessa neste momento percebemos que é preciso tomar medidas", disse Manuel Pereira.Os diretores escolares concordam com a reativação do ensino à distância para os alunos mais velhos, mantendo os restantes na escola. No entanto, pedem que professores e funcionários das escolas sejam considerados prioritários no plano de vacinação do Governo contra a covid-19."Nada substitui a presença em sala de aula, mas perante a situação que o país atravessa neste momento percebemos que é preciso tomar medidas", armou, à agência Lusa, Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE).Mesma opinião tem o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANADEP), até porque que menos alunos na escola diminui o número de pessoas nos transportes públicos.Para Filinto Lima, é melhor que sejam os mais velhos a car em casa, pois têm mais maturidade para acompanhar as aulas online.Por outro lado, os dois responsáveis têm posições diferentes relativamente ao critério de aplicação do ensino à distância. Filinto Lima defende que este só deve ser adotado nos "concelhos que estão na linha vermelha", enquanto Manuel Pereira admite uma medida de âmbito nacional, uma vez que "o país é pequeno e a situação é grave em todo o país".Quanto ao pré-escolar e ao ensino básico, ambos consideram que deve continuar a ser presencial. "A escola é um elevador social, mas a pandemia mostrou-nos que com o ensino à distância foi para muitos um elevador que só desceu", sublinhou Filinto Lima, à agência Lusa.Manuel Pereira lembrou também que no caso das crianças com menos de 12 anos, os pais teriam de car em casa.Diretores escolares concordam com aulas em casa para mais velhos e pedem vacinação de profissionais

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NOTICIAS JornalPortuguês 12/01/21 14A ministra da Saúde adiantou que, até sexta-feira passada, já foram vacinadas 74 mil pessoas contra a covid-19, entre prossionais do SNS, do hospital das Forças Armadas, de Emergência Médica e de instituições de idosos.Marta Temido, que falava aos jornalistas antes da reunião com a Task force do Plano de Vacinação contra a covid-19, revelou ainda que, esta segunda-feira, chegaram mais 79.950 vacinas da Pzer e que o país receberá esta semana 8.400 doses da vacina da Moderna.A ministra deixou também um apelo para que as pessoas se mantenham "seguras" até ao nal da vacinação. "Estamos num momento em que começamos a perspetivar os resultados da vacinação que só acontecerá daqui a uns meses", acrescentou.Ministra diz que esta semana chegam 8.400 doses da vacina da Moderna Mais de 70 mil pessoas já receberam a vacina da Pfizer.

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16 JornalPortuguês 12/01/21 noticiasO número de hospitalizações devido à covid-19 continua a aumentar, atualmente estão internadas 3.983 infetados.Portugal atingiu, esta segunda-feira, um novo máximo diário de mortes por covid-19, tendo registado 122 mortes nas últimas 24 horas, aumentando para 7.925 o número de vítimas mortais contabilizadas desde o início da pandemia.O boletim da DGS revela também que, no mesmo período de tempo, foram diagnosticadas com a doença mais 5.604 pessoas. Assim, o país soma agora um total de 489.293 casos conrmados.Lisboa e Vale do Tejo foi a região que registou um maior número de contágios, com 2.158 novos casos, segue-se o Norte com 1.498 infeções, o Centro com 997, o Alentejo com 519, os Açores com 138 e a Madeira com 61.Em relação aos dados trágicos dos óbitos, foi também na região de Lisboa e Vale do Tejo que se concentraram a maioria (47) das mortes por covid-19. No Norte ocorreram 34 mortes, no Centro 28, no Alentejo nove e no Algarve quatro. Os Açores e a Madeira não registaram qualquer óbito associado à doença.O número de internamentos é agora de 3.983, mais 213 do que ontem, uma subida muito signicativa. Nos cuidados intensivos encontram-se neste momento 567, mais nove do que no balanço anterior.Por outro lado, mais 2.948 pessoas recuperam da doença, aumentando o total para 372.056.Atualmente, existem 109.312 casos ativos da doença e as autoridades de saúde têm sob vigilância 120.292 contactos.Portugal regista novo recorde de 122 óbitos. Número de internamentos dispara

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noticias JornalPortuguês 12/01/21 17Já saíram outras pessoas que são chegadas ao também antigo primeiro-ministro do PSD.O fundador do partido Aliança e ex-líder Pedro Santana Lopes está em reexão sobre a sua saída da força política que fundou após a desliação do PSD.Estará mesmo a preparar a sua saída e a decisão será conhecida muito em breve, apurou o i. Sinal disso mesmo está o facto de prosseguirem as desliações de militantes do partido Aliança que integraram a equipa dos primeiros cinquenta fundadores daquela força política. Ou seja, já saíram mais pessoas que são chegadas ao também antigo primeiro-ministro do PSD.De acordo com informações recolhidas pelo i, desliaram nos últimos dias Rosário Águas, antiga secretária de Estado, José Manuel Pereira da Costa, antigo secretário de Defesa e ex-deputado, João Navega, além de João Pessoa e Costa, guras que acompanharam Santana Lopes na formação do novo partido. Mas são esperadas mais desliações.Tal como Nascer do Sol já tinha noticiado há duas semanas, o embaixador Martins da Cruz ou guras como Bruno Ferreira Costa e Ana Pedrosa-Augusto desliaram-se após o congresso de setembro passado.Aliança. Pedro Santana Lopes prepara saída

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20 JornalPortuguês 12/01/21 DesportoLeões reforçam liderança debaixo de temporal Nem a chuva nem o vento demovem o líder Sporting da sua caminhada. Os leões venceram hoje o Nacional por 2-0, em condições climatéricas muito complicadas, e reforçaram a liderança da I Liga. Um dia depois do adiamento do jogo devido ao forte vento na Choupana, e num relvado muito pesado, Nuno Santos marcou o primeiro golo ao minuto 43, enquanto Jovane Cabral xou o resultado nal aos 90.A ventania que fez adiar a partida por um dia mal se fez sentir durante todo o duelo, mas as chuvas que caíram intensivamente nos últimos dias, e esporadicamente antes e durante o jogo, tornaram o relvado muito difícil para a circulação da bola junto à relva. Luís Freire apostou na mesma equipa que venceu o Tondela há duas jornadas, última vez que os alvinegros jogaram na I Liga, em virtude do adiamento do duelo com o Vitória de Guimarães, foi adiado devido a um surto de covid-19 detetado no plantel dos minhotos. Quanto ao Sporting, Rúben Amorim operou uma alteração na equipa que recebeu e venceu o Sporting de Braga na ronda anterior, com a entrada de Sporar para o lugar de Tiago Tomás.Ambas as equipas já previam um cenário como aquele que vieram encontrar, pelo que o jogo direto e as bolas paradas foram as armas prediletas, em especial para o Sporting, que como era de esperar, assumiu desde muito cedo as despesas do jogo. Aos 8 minutos, Porro assinou o primeiro momento de perigo, rematando por alto, pouco antes da linha da grande área, após receber uma bola socada por Daniel Guimarães para a zona frontal. Mas depois assistiu-se a uma luta tremenda a meio campo, com muitas perdas de bola de parte a parte, em grande parte devido ao estado do tapete, que foi piorando rapidamente com o decorrer do jogo.Sem capacidade para chegar na frente com rapidez, os verde-brancos foram tentado a meia distância, ou então cruzamentos que foram morrendo na defesa insular ou então nas mãos de Daniel Guimarães. Perto da meia hora, o Nacional conseguiu nalmente chegar com perigo até à área de Adán, mas Rochez, que obrigou o guardião dos lisboetas a assinar uma grande defesa, estava em fora de jogo. Logo de seguida, e na sequência de uma bola longa, Pedro Gonçalves aproveitou um mau alívio da defesa madeirense para, em plena grande área, para atirar à baliza. Daniel estava no lance, mas acabou por negar o golo com a cara, defesa que lhe valeu depois duas assistências.O Sporting carregou no acelerador e empurrou o Nacional para o seu último terço, ganhando uma série de cantos consecutivos, e também faltas para explorar lances de bola estudados de bola parada. Aos 41 minutos, Nuno Santos, na cobrança de um livre no enamento da linha da grande área, do lado direito do ataque leonino, rematou em arco, levando a bola a passar muito perto da trave da baliza dos insulares. A pressão da turma de Ruben Amorim acabou por dar frutos pouco depois. Um cruzamento longo Nuno Mendes foi bem aproveitado por Pedro Gonçalves, que surgiu ao segundo poste para tocar para o poste contrário, onde Nuno Santos apareceu para nalizar de forma fácil. Antes do intervalo, o Nacional ainda reagiu, mas a meia distância de João Camacho saiu muito ao lado da baliza de Adán.Em desvantagem e sem capacidade para chegar na frente, Luis Freire procurou reforçar o jogo direto da equipa fazendo entrar Gorré, por troca com Rúben Micael. O Nacional voltou das cabines mais atrevido no ataque e o extremo fez o primeiro remate do segundo tempo, mas a bola saiu muito lado. Depois foi a vez de Azouni tentar a sua sorte, mas Adán segurou sem problemas. O adiantamento das linhas alvinegras permitiu ao Sporting usufruir de mais espaços, com a profundidade a ser dada à exploração de Pedro Gonçalves, que aos 65, desperdiçou uma excelente oportunidade para fazer o 2-0. Após tirar um adversário da frente, cou com a baliza à sua mercê, mas o melhor artilheiro da Liga rematou por cima.Entretanto a chuva voltou a aparecer e com intensidade, piorando o estado do relvado e naturalmente a missão dos jogadores. Mas o Sporting soube adaptar-se melhor ao clima adverso, uma vez que foi sempre a equipa com maior objetividade e melhor construção de jogo, perante um Nacional que revelou discernimento, tanto no ataque como na defesa.Aos 83 minutos, Pedro Gonçalves viu o poste negar-lhe o golo que mataria o jogo, mas já em período de descontos uma desatenção de Lucas Kal facilitou o momento que os leões procuraram com insistência na reta nal da partida. O central do Nacional permitiu que Tiago Tomás recuperasse a bola já perto da pequena área, tendo este cruzado para o recém-entrado Jovane encostar para o golo que desfez todas as dúvidas quanto ao desfecho do marcador. Mal o jogo acabou, toda a gente correu imediatamente para o túnel. A chuvada pedia festejos em lugares mais secos.Nacional-Sporting, 0-2 (crónica)

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DESPORTO JornalPortuguês 12/01/21 21Paços com horizonte para a Europa Já muito se escreveu sobre a diferença entre ter bola e saber o que fazer com ela.E se for preciso acrescentar mais um capítulo a essa tese, pode recorrer-se a este jogo entre Belenenses e P. Ferreira.Ao intervalo, a equipa da casa tinha 67 por cento de posse de bola. Perdia 1-0 e as melhores oportunidades tinham sido do adversário.Na segunda parte, esse dado que conta o tempo em que cada equipa passa com a bola no seu poder chegou a andar nos 70 por cento para o Belenenses. Que perdeu 2-0 e pouco ou nenhum perigo foi capaz de criar sem ser de bola parada.E por isso é que a equipa de Pepa sai desta partida com pouca bola, é certo, mas com três pontos que lhe permitem isolar-se no quinto lugar da Liga.Enquanto o Belenenses leva a bola para casa, mas mantém-se em zona perigosa e agora com apenas mais um ponto do que o último classicado.Mas são tantas as diferenças que separam Belenenses e P. Ferreira.Claro que a tranquilidade vale muito em jogos decididos em detalhes. Mas aquilo que se viu nesta noite gélida no Jamor foi uma equipa que se sente confortável em todos os momentos do jogo.O conjunto de Pepa defende quando tem de defender. É perigoso quando mete velocidade, cria perigo nas bolas paradas e não tem problemas em jogar em ataque continuado.Já o Belenenses, que se viu a perder desde o minuto 12 com um penálti convertido por Bruno Costa, mostra diculdades quando tem de construir e sem Varela falta-lhe velocidade para as transições. E por isso, o conforto que tem a defender de pouco lhe vale quando tem de correr atrás de um resultado.O Belenenses também criou perigo nesta partida, tem de se ressalvar isso. Mas tirando um remate de Miguel Cardoso aos 4m, apenas o conseguiu fazer em bolas paradas.E ainda há uma outra diferença gigante entre P. Ferreira e Belenenses.A perder, Petit olhou para o banco e tirou de campo o avançado Cassierra para lançar um extremo, Chico Teixeira. Mais tarde, ainda lançou dois médios defensivos. Jogou com o que tinha.Pepa fez saltar do banco João Amaral e Diaby. Os homens que lhe selaram o resultado já nos descontos.É um mundo de diferença. Enquanto um tenta fugir a correr do fundo, o outro caminha tranquilamente com a Europa no horizonte.Belenenses-P. Ferreira, 0-2 (crónica)

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22 JornalPortuguês 12/01/21 Desporto Desporto Guerreiros na perseguição ao pódioOs ventos da Madeira empurraram o arranque da 13.ª jornada para o Minho, cabendo a Sp. Braga e Marítimo abrir as hostilidades. Foi mais forte o conjunto bracarense, ao vencer com golos de Iuri Medeiros e Ricardo Horta (2-1), mantendo-se na perseguição aos lugares da frente.A atravessar uma boa fase, parecendo ter-se encontrado com Milton Mendes no comando técnico, o Marítimo foi pouco acutilante, cando à mercê de um Sp. Braga que, vindo de uma derrota em Alvalade, não quis perder de vista o pódio. Num embate órfão das referências ofensivas, uma vez que Paulinho e Rodrigo Pinho desfalcaram os ataques de Sp. Braga e Marítimo, respetivamente, o jogo parece ter-se ressentido da ausência, por lesão, dos pontas de lança.Tagueu desperdiça, Iuri nãoO embate foi, então, rendilhado e sem grandes lances de frisson junto das balizas, apesar de até começar de forma prometedora. Logo nos instantes iniciais Musrati deu a bola a Joel Tagueu, que cou completamente isolado, mas parece ter-se deslumbrado com tamanha oferta atirando à malha lateral despois de driblar Matheus. Estava completamente sozinho!Entrada em alerta do Sp Braga, que voltou a ser igual a si mesmo. Teve domínio do jogo, jogou quase exclusivamente no meio campo adversário, mas, mesmo estando por cima, denotou alguma diculdades em penetrar no último reduto insular.Ainda assim, ia tendo alguns lances de nalização, chegando ao golo a dez minutos do intervalo. Subida proveitosa de Esgaio pela direita, servindo depois Iuri Medeiros com as medidas certas, para o extremo desviar de forma subtil com o pé esquerdo para o fundo das redes.Reação tardiaCom o Sp. Braga em vantagem e sem necessidade de se expor a uma possível reação do Marítimo, os pupilos de Carlos Carvalhal retiraram o pé de acelerador. Por seu turno, os insulares demonstravam diculdades para criar lances de perigo.Neste limbo, estando o jogo amorfo, ao minuto 67 Ricardo Horta inscreveu o seu nome na história do jogo, fazendo o segundo golo e, pensava-se, arrumando com a questão.Só que o Marítimo ainda tinha uma palavra a dizer. Sem sofrer golos em casa nos últimos três jogos, lançado por Milton Mendes, Milson saltou do banco do Marítimo para bater Matheus e manter a incerteza no jogo até nal.A reação foi insuciente para tirar os três pontos ao Sp. Braga, que reage com um triunfo ao desaire com o Sporting, mantendo-se na corrida pelos lugares cimeiros.Sp. Braga-Marítimo, 2-1 (crónica)

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DESPORTO Jornal Português 12/01/21 23 Intenção traída com galo de Denis Estádio de São Luís, Faro Denis deu um grande galo - não o de Barcelos - e acabou, já nos minutos nais, com a vontade da sua equipa em tentar evitar a derrota, principalmente quando teve vantagem numérica após a expulsão de Licá aos 60 minutos. Os algarvios conseguem uma vitória importante, antes da deslocação a Guimarães e da receção ao FC Porto. E largam a última posição da classicação e a zona de descida.Afetado por uma onda de lesões, Sérgio Vieira não pôde contar com oito jogadores, três deles defesas centrais e Cláudio Falcão, médio que tem atuado nessa posição devido aos problemas físicos que têm afetado o setor. Neste domingo, mais uma vez, o treinador do Farense foi obrigado a adaptar Bura ao lado de Cássio Scheid, que não era utilizado desde a 3.ª jornada, na derrota frente ao Benca. E só dispôs de oito suplentes, dois deles guarda-redes. E neste jogo, mais um jogador teve que ser substituído por lesão ainda antes do intervalo, o extremo Hugo Seco, após toque de Rodrigão, no início da jogada que originou o golo de Lourency, além de Licá ter sido expulso, aumentando assim ainda mais as diculdades do treinador para o próximo jogo, em Guimarães. No Gil Vicente, Ricardo Soares também não contou com João Afonso e Ygor Nogueira, infetados com covid-19.FILME, FICHA DE JOGO E VÍDEOS DOS GOLOSCom grande ecácia, o Farense chegou rapidamente a uma vantagem de dois golos. Aos 10 minutos, Stojiljkovic elevou-se mais alto do que Ruben Fernandes no centro da defesa e desviou de cabeça, dando a melhor sequência a um livre de Amine, na esquerda. Os algarvios marcaram na primeira grande oportunidade do jogo e voltaram a fazê-lo cinco minutos depois por Licá, assistido por Hugo Seco, que aproveitou uma hesitação de Rodrigão: o extremo cou com a bola e endossou-a a Licá, que só teve de encostar para a baliza deserta. Segundos antes, Samuel Lino num trabalho individual na esquerda, rematou cruzado ao lado, naquela que foi a primeira grande ocasião dos gilistas.Num jogo movimentado, com frequentes acelerações das duas equipas e várias transições, o Gil Vicente reduziu antes da meia-hora, por Lourency. O extremo rematou forte e colocado de fora da área, depois de ter tirado Alex Pinto da frente e etido da esquerda para o centro. Rera-se que o VAR ainda analisou uma possível falta de Rodrigão sobre Hugo Seco no início da jogada, mas não encontrou razões para assinalar infração.Perto do intervalo, o Farense poderia ter aumentado a vantagem, após boa iniciativa de Madi Queta, que solicitou a entrada de Ryan Gauld nas costas da defesa gilista, com o escocês depois a tentar colocar em Stojiljkovic na área, mas Talocha cortou para canto. Na sequência, Cássio Scheid cabeceou sem oposição, mas a bola foi direitinha para as mãos de Denis.A expulsão de Licá, após alerta do VAR a Hugo Miguel, motivou a equipa de Ricardo Soares, que depois do equilíbrio até esse momento tomou de assalto o último reduto algarvio, mas, rera-se, raras vezes colocou em perigo a baliza de Defendi. Para contrariar esse sentido ao jogo dado pelo gilistas, Sérgio Vieira equilibrou a sua equipa em 4x4x1, colocando velocidade nas alas para tentar surpreender.O Gil Vicente teve posse mas faltou-lhe denição. E, nunca conseguiu tirar partido da vantagem numérica, raramente entrando na área farense, limitando-se a cruzamentos facilmente anulados. E até foi dos algarvios a melhor oportunidade para aumentar a vantagem, num contra-ataque entre Madi Queta e Ryan gauld, com o remate do extremo luso guineense a ser desviado por Ruben Fernandes.A seis minutos do nal, o jogo cou sentenciado, com Denis a dar um grande frango (leia-se... galo), deixando a bola passar ao lado das mãos, num disparo de Fabrício Isidoro.Farense-Gil Vicente, 3-1 (crónica)

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24 Jornal Português 24 Jornal Português 12/01/21 12/01/21 DESPORTO DESPORTORota gelada para águas tranquilasO Rio Ave regressou nesta sexta-feira às vitórias na Liga, após quatro derrotas e dois empates nas últimas seis jornadas. A formação orientada por Pedro Cunha foi claramente superior ao Portimonense (3-0), numa noite gélida em Vila do Conde.Depois de uma primeira parte sem golos, Pelé inaugurou a contagem na sequência de uma grande penalidade e Ryotaro Meshino fez o segundo para a equipa nortenha. Os algarvios tentaram responder e Carlos Mané, em lance de contra-ataque, xou o resultado nal, marcando o golo 900 do Rio Ave na primeira divisão.Com este resultado, o Rio Ave afasta-se da linha de água, saltando para o 9.º lugar, à condição. O Portimonense, por seu turno, continua na antepenúltima posição, cando à mercê de Boavista e Farense.FICHA DE JOGOPedro Cunha, que assumiu o comando técnico da equipa de Vila do Conde após a saída de Mário Silva, apostou na titularidade de Ryotaro Meshino, por troca com André Pereira, e o japonês cotou-se como a melhor unidade em campo.O Portimonense até entrou melhor no jogo, apresentando o reforço Ewerton no onze, mas o Rio Ave soube explorar as fragilidades defensivas do adversário e tirou partido da velocidade dos homens da frente para criar mais perigo na primeira parte.Samuel, o guarda-redes visitante, conseguiu adiar o golo da equipa nortenha até ao minuto 51. O central Maurício António tentou ntar Francisco Geraldes junto à linha lateral e perdeu a bola. O médio serviu Gelson Dala e o avançado caiu na área, em duelo com Lucas Possignolo. Na cobrança do castigo máximo, Pelé inaugurou o marcador.O Rio Ave colocou-se em vantagem com naturalidade e chegou rapidamente ao segundo. Pouco depois, Meshino recebeu à entrada da área do Portimonense, foi procurando espaço para o remate e, perante a apatia da defensiva contrária, rematou cruzado, rasteiro, sem hipóteses para Samuel.Paulo Sérgio tentou responder de imediato, colocando várias unidades ofensivas (incluindo Bruno Moreira, avançado que saiu precisamente do Rio Ave), mas a sua equipa sentiu enormes diculdades para criar lances de verdadeiro perigo. Em contra-ataque, os vila-condenses foram sempre mais perigosos e viriam a chegar ao 3-0 por intermédio de Carlos Mané, com um remate cruzado de pé esquerdo, após passe de Gelson Dala (78m).Nota nal para o regresso de Fábio Coentrão à competição. O esquerdino do Rio Ave lesionou-se na primeira jornada da Liga, a 25 de outubro, e foi lançado na reta nal da receção ao Portimonense.Rio Ave-Portimonense, 3-0 (crónica)

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25 Jornal Português 25 Jornal Português 12/01/21 12/01/21 DESPORTODESPORTOPositivo, mas pouco«Temos de ser melhores do que o adversário em todos os momentos do jogo. Se pudermos ganhar com nota artística, ideal, no Benca só ganhar não chega. É isso que pretendemos fazer e é para isso que trabalhamos durante a semana. A nossa ideia é voltar às vitórias.»A frase é de Jorge Jesus, na conferência de imprensa de antevisão à receção do Benca ao Tondela.Uma das ideias, diga-se, foi concretizada com sucesso.No Estádio da Luz, o Benca venceu o Tondela, por 2-0, e regressou às vitórias, depois do empate registado nos Açores, com o Santa Clara. Os encarnados mantêm-se a quatro pontos do líder Sporting, que minutos antes ganhou na Madeira, ante o Nacional.A outra ideia, a da nota artística, é que esteve muito longe de concretizar-se.Mas atenção, ponto prévio: a vitória das águias foi inteiramente justa e não merece qualquer tipo de discussão. O clube da Luz esteve sempre por cima do jogo, passou 80 por cento do tempo instalado no meio-campo adversário e teve oportunidades sucientes para conseguir um resultado mais dilatado.Mas, ainda assim, foi curto, quando comparado ao que esta equipa já fez, no início da temporada, e em relação ao tal Benca «arrasador» que Jesus prometera quando foi apresentado, no verão.O técnico das águias fez regressar Pizzi para o meio-campo, para fazer dupla com Weigl, e juntou o também regressado Seferovic a Darwin Núñez.Mas não se pode dizer que tenha sido uma aposta propriamente ganha.O Benca teve muita bola, instalou-se desde cedo no meio-campo de um Tondela que também não teve a astúcia necessária para incomodar Vlachodimos, mas, durante grande parte do tempo, foi só isso.Weigl e Pizzi deram alguma qualidade de circulação à formação da casa, que depois tinha pouco seguimento no último terço. Gilberto e Grimaldo jogaram muito projetados no ataque, mas sempre com tendência para procurar terrenos interiores. Aí, o jogo afunilava e facilitava a tarefa ao conjunto beirão, compacto e bem organizado defensivamente.No primeiro tempo, só mesmo Darwin, aos 24 minutos, obrigou Babacar Niasse a defesa apertada. De resto, o Benca foi ameaçando aqui e ali, mas sem grandes sobressaltos para o guarda-redes tondelense.Passe de Pizzi desbloqueou o marcador, Murillo assustou e Waldschmidt... descansou JesusA etapa complementar começou praticamente com o 1-0: Pizzi, com um grande passe, descobriu Darwin e o uruguaio assistiu Seferovic. Se nos primeiros 45 minutos, as coisas não tinham resultado para a dupla de avançados, na segunda parte só precisaram de 11 minutos para fazer mossa.A partir daí, o jogo descomplicou-se para o Benca. Os encarnados continuaram a ter o domínio do jogo, sem nunca, no entanto, ameaçar muito a baliza de Niasse, e foram conseguir manter o Tondela afastado da sua baliza.Até aos 86 minutos: já depois de um primeiro aviso tímido de Salvador Agra, Jhon Murillo surgiu na cara do golo e quase empatou o jogo. Valeu Vlachodimos e Vertonghen, que despachou a bola quase em cima da linha de golo.Nos descontos, Darwin voltou a servir um companheiro para o 2-0 nal, desta feita Luca Waldschmidt. Do grande susto provocado por Murillo, minutos antes, as águias passaram para um resultado mais confortável, mas não convincente, até por força desse calafrio nal.Se, como Jesus diz, «no Benca só ganhar não chega», bem pode dizer-se que esta foi mais uma noite em que o técnico das águias não pode car satisfeito, já que a nota artística, ao contrário do frio, raramente apareceu, apesar do golo de belo efeito de Seferovic – pela jogada em si. Dado triunfo, o jogo foi positivo para o emblema da Luz, sim. Mas pouco.Benfica-Tondela, 2-0 (crónica)

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26 Jornal Português 26 Jornal Português 12/01/21 12/01/21 DESPORTO DESPORTODois momentos eletrizantes num dérbi sem luz Apenas dois momentos eletrizantes, com dois golos num curto espaço de tempo, conferiram algum dinamismo a um dérbi vimaranense frio que acabou com uma igualdade a duas bolas (2-2). As duas equipas estiveram em vantagem no marcador, mas permitiram o empate quase de imediato.No último lance do encontro a luz falhou no Parque de Jogos Comendador Joaquim de Almeida Freitas, o que levou a que se esperasse quase vinte minutos para disputar meia dúzia de segundos. O pontapé de canto do Moreirense bateu-se ainda sem a luz na sua plenitude, para que Artur Soares Dias desse o jogo por terminado.Vasco Seabra estreia-se no comando técnico do Moreirense com um empate caseiro, a premiar essencialmente a organização da equipa de Moreira de Cónegos perante um vizinho que foi mais acutilante, mas que, em abono da verdade, dominou territorialmente mas conseguiu poucos lances de verdadeiro perigo.Com seis casos de Covid-19 no plantel, o Vitória apresentou-se sem Rochinha, Estupiñán e Bruno Duarte, enquanto que no Moreirense Vasco Seabra fez apenas uma alteração, forçada, fazendo jogar Afonso Figueiredo no lugar do lesionado Conté.Prometedor mas sem sequênciaO dérbi entre Moreirense e Vitória até se iniciou de forma prometedora, muito tático, mas, ao mesmo tempo, aguerrido e com intensidade para ser cativante. A organização do Moreirense, uma equipa compacta a retirar os espaços ao adversário, condicionando o jogo de um Vitória mais acutilante.Com um quarto de hora cumprido, não permitindo grandes lances de perigo ao adversário, mesmo tendo menos bola, o Moreirense adiantou-se no marcador mostrando outra faceta: letalidade quando era capaz de roubar o esférico ao adversário em zona de nalização. Foi isso que Pires fez. Ganhou o ressalto a Jorge Fernandes num lance que não aparentava perigo e esgueirou-se pela esquerda para a área, rematando depois de forma exímia, não dando chances a Bruno Varela, mesmo de ângulo apertado.Seguiu-se a melhor fase do Vitória, empatando em apenas cinco minutos e rondando a baliza do Moreirense de forma ameaçadora, ainda que mesmo criar perigo, perspetivando-se um segundo golo. Edwards fez o empate de cabeça numa boa jogada de envolvência atacante do Vitória, a corresponder a um cruzamento teleguiado de André André.Esse segundo golo não apareceu e a segunda metade do primeiro tempo acabou por ser sensaborona, sem rasgos de genialidade ou lances dignos de registo. O joga ia dando mais Vitória, mas o Moreirense chegava para manter a sua baliza longe de perigo.Dois golos em três minutos destoam da escuridãoMantiveram-se as cautelas na segunda metade, com as duas equipas a calcular o risco, sem se exporem ao adversário. Tais cautelas tiverem repercussões na criatividade de parte a parte, escasseando lances de perigo.Após o marasmo seguiu-se novo pequeno período eletrizante com dois golos em apenas três minutos, desta vez com ordem invertida. Com alguma naturalidade, dado chamar a sai a iniciativa de jogo, o Vitória operou a cambalhota no marcador com um grande golo de André André, a traçar um trabalho sublime no interior da área.Mas a vantagem durou apenas três minutos. O Moreirense igualou de imediato por intermédio de Alex Soares. Yan trabalho na direita, serviu Filipe Soares que rematou para defesa de Bruno Varela, sendo que na recarga o outro irmão, Alex Soares, estabeleceu o empate nal. Os golos destoaram da escuridão de ideias no segundo tempo. No primeiro jogo de 2021 o Vitória não conseguiu retomar os triunfos, empatando num embate em que dominou mas teve diculdades no último terço do terreno.Moreirense-V. Guimarães, 2-2 (crónica)

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27 Jornal Português 27 Jornal Português 12/01/21 12/01/21 DESPORTO DESPORTO27 Jornal Português 27 Jornal Português 12/01/21 12/01/21 DESPORTO DESPORTOFC Porto tem fama de invencível e teve também o proveitoE vão nove vitórias consecutivas para o FC Porto. Os dragões, pressionados pelos triunfos de Sporting, Benca e Sp. Braga, foram a Famalicão alcançar um triunfo seguro, que mantem a equipa de Sérgio Conceição no segundo lugar do campeonato.Um erro de Diogo Leite podia ter complicado a vida aos portistas, mas os famalicenses nunca conseguiram incomodar verdadeiramente os azuis e brancos. Mehdi Taremi bisou na partida e ainda esteve no lance do penálti, que deu o golo a Sérgio Oliveira. João Mário estreou-se a marcar pela equipa principal do FC Porto e fechou a contagem. Jhonata Robert marcou o tento de honra famalicense.Entrada forte do dragãoPara esta partida, Sérgio Conceição mudou dois jogadores em relação à vitória frente ao Moreirense. Manafá cou de fora por ter testado positivo à Covid19 – tal como Fábio Vieira e Carraça – e foi substituído por Nanu. Já Otávio, depois de cumprir dois jogos de castigo, voltou a ocupar a ala esquerda dos dragões, relegando Luis Diaz para o banco de suplentes. Frente a frente estavam o melhor ataque e a pior defesa. Talvez por isso, João Pedro Sousa surpreendeu ao mudar o habitual 4-3-3 para uma defesa com três centrais. Já sem Rúben Lameiras, que rumou ao Vitória de Guimarães, o técnico estreou outro Rúben, o Vinagre, lateral esquerdo que chega por empréstimo do Wolverhampton.Com a derrota em Famalicão na temporada passada ainda na memória - e com o empate famalicense frente ao líder Sporting -, os dragões entraram a dominar e a encostar a turma antriã lá atrás. O relógio ainda não tinha chegado ao quarto de hora e já os azuis e brancos estavam na frente do marcador. Nanu lançou em profundidade em Corona, o mexicano foi à linha de fundo e cruzou atrasado para Mehdi Taremi que atirou a contar. Ato contínuo, Corono surgiu solto na área com um remate acrobático para as mãos de Vaná, hoje titular.O FC Porto era senhor do jogo, mas um erro de Diogo Leite relançou a partida. O central abordou mal o lance, foi ultrapassado por Anderson e acabou por derrubar o avançado brasileiro. Na conversão do castigo máximo, Jhonata Robert não perdoou. Há três jogos que o Famalicão não marcava qualquer golo.Cimentar a vitóriaNo entanto, os famalicenses retribuíram a oferta azul e branca e pagaram na mesma moeda. Desentendimento na defesa e Taremi a antecipar-se a Vaná, acabando derrubado pelo guardião brasileiro. Grande penalidade assinalada que Sérgio Oliveira transformou em golo. Foi o sétimo tento do internacional português na I Liga.Na segunda parte, o Famalicão tentou pressionar a equipa portista logo na fase de construção, mas os dragões foram ultrapassando com maior ou menor diculdade o adversário. No entanto, os locais continuavam sem conseguir criar jogo e só chegavam à baliza contrária em lances individuais ou de bola parada.Assim, voltou a ser o FC Porto a marcar. Após canto, o esférico sobrou para a entrada da área onde Otávio tirou novo cruzamento para a cabeça de Mehdi Taremi, que bisou no encontro. Era o golo que dava tranquilidade à formação orientada por Sérgio Conceição e que voltava a acentuar as diculdades da turma antriã nos lances de bola parada.João Pedro Sousa, insatisfeito com o resultado, desfez a tática dos três centrais e apostou mais no ataque. Contudo, pouco mudou e continuaram a ser os azuis e brancos a mandar na partida. À medida que o jogo decorria para o m, os dragões baixaram o ritmo e aproveitou o Famalicão para car perto do golo, valeram duas fantásticas defesas de Marchesín.Na resposta, num rápido contra ataque, João Mário estreou-se a marcar pela equipa principal e fechou a contagem em 1-4.Famalicão-FC Porto, 1-4 (crónica)

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28 DESPORTO 28 DESPORTO JornalPortuguês JornalPortuguês 12/01/21 Meia-hora de aula não chega para tirar boa notaNão saber o que querer é uma abstenção perigosa. Na vida e no jogo. Com Jesualdo, o Boavista terá percebido o caminho a seguir, mas é raro alguém ganhar jogos só com meia-hora de grande qualidade. O Boavista cresce, sim, embora atormentado por hesitações compreensíveis em quem mudou de líder e quer voltar a ser grande. O empate premeia a maturidade do Santa Clara, amparado no agitador Carlos Júnior.A escolha que se colocava ao Boavista, de pés na terra após os sonhos que os nomes fortes e o dinheiro fresco trouxeram, prendia-se com o regime em que pretende ser feliz. Mais do que táticas e posicionamentos, importava perceber as opções de Jesualdo Ferreira na estratégia. E aí já não residem dúvidas: o Bessa quer voltar a ser um forte inexpugnável.Escrevemo-lo convictamente porque vimos a melhor meia-hora do Boavista nesta época. E não nos estamos a esquecer do baile perfeito dado ao Benca ainda no tempo de Vasco Seabra. Durante 30 minutos, o Boavista de Jesualdo foi o Boavista dos boavisteiros que viram o clube a crescer nos anos 70 e 80, que viram o emblema a afrontar os maiores na década de 90, que foi campeão e andou pela Liga dos Campeões no início do século.Segurança na posse de bola, movimentações imprevisíveis na frente, a doçura de Angel Gomes e a selvajaria de Elis a entenderem-se às mil maravilhas. O problema é que o Boavista chegou aos 30 minutos só com um golo marcado – passe perfeito de Show e receção/nalização exemplares de Nuno Santos – e o Santa Clara perfeitamente vivo, apesar de atordoado.9-0 em remates e 64-36 em posse de bola ajudavam a perceber a superioridade das ideias de Jesualdo e a audácia de um futebol que, houvesse gente no estádio, levantaria as bancadas. Não chegou. E não chegou porque guiado por um desinquietador chamado Carlos, o Santa Clara fez quatro remates – os primeiros no jogo – entre os 32 e os 38 minutos. À quarta ameaça, um belo golo de cabeça e o empate feito.30 minutos para o Boavista, oito minutos para o Santa Clara, 1-1 no marcador. É assim o futebol.Claro que o empate e o despertar do Santa Clara, equipa num plano evolutivo superior, levantou dúvidas e reavivou velhos fantasmas no Boavista. A equipa teve alguns minutos de tremedeira, encolheu-se até, mas o intervalo deu-lhe o chá quente e a conversa paternal que precisava.No segundo tempo, objetivamente, a palavra-chave foi equilíbrio. Houve menos oportunidades de golo, menos futebol de qualidade, e mais agressividade, intensidade e maus fígados. O jogo podia ter caído para qualquer lado, embora seja importante lembrar que a melhor oportunidade voltou a ser do Boavista.Alberth Elis fez um «chapéu» de abas perfeitas a Marco, a bola jurava entrar na baliza açoriana e Mikel Villanueva, em esforço, tirou-a em cima da linha. Teria sido, quiçá, um prémio justo para a certeza ideológica ensinada pelo professor Jesualdo. A aula foi boa, mas a nota ainda só é razoável.Boavista-Santa Clara, 1-1 (crónica)